A aviação executiva alcançou um novo marco no extremo sul do planeta. A empresa canadense ACASS realizou, no final de outubro de 2025, a primeira aterrissagem de um jato executivo Dassault Falcon 8X na Antártida, pousando com sucesso na pista de gelo Wolf’s Fang, localizada na região de Queen Maud Land — território reivindicado pela Noruega.
O voo, que partiu da Cidade do Cabo, na África do Sul, transportou oito membros da equipe da operadora turística de luxo White Desert Antarctica e um inspetor da Autoridade de Aviação Civil de San Marino, país no qual a aeronave está registrada.
O Dassault Falcon 8X, conhecido por seu alcance intercontinental de até 6.450 milhas náuticas e capacidade de operar em pistas curtas e de difícil acesso, mostrou toda sua versatilidade ao completar a missão com segurança em condições extremas. Segundo a ACASS, essa foi a primeira de uma série de voos planejados para a temporada 2025/2026, que deve incluir até dez operações entre a África e a Antártida. O projeto envolveu meses de planejamento e coordenação entre a ACASS, as autoridades aeronáuticas de San Marino e da África do Sul, além da equipe técnica da White Desert, especializada em logística polar.
A Wolf’s Fang Runway é uma pista de gelo azul com cerca de 3.000 metros de comprimento, cuidadosamente preparada a cada temporada para garantir o nível adequado de aderência, temperatura e atrito necessários às operações aéreas. Construída sobre uma base sólida de gelo glacial, a pista exige cálculos de performance precisos, técnicas de frenagem adaptadas e monitoramento constante das condições meteorológicas. A manutenção envolve nivelamento do gelo, remoção de neve e transporte de combustível por longas distâncias, em um ambiente onde qualquer erro pode ser crítico.
Nos últimos anos, a pista da Wolf’s Fang se tornou um símbolo do avanço da aviação em ambientes extremos. Em temporadas anteriores, aeronaves como o Airbus A340-300 da companhia portuguesa Hi Fly já haviam pousado no local, demonstrando a crescente capacidade logística para conectar o continente gelado com a África. Agora, o feito da ACASS com o Falcon 8X reforça o potencial da aviação executiva para operações de alto padrão em destinos remotos, unindo tecnologia, precisão operacional e turismo de luxo.
De acordo com o vice-presidente de operações da ACASS, Derek Holter, a missão representou “um desafio extraordinário que exigiu uma coordenação complexa, devido às condições ambientais extremas e à necessidade de garantir segurança total em todas as etapas”. A Dassault Aviation também destacou o feito como uma demonstração das capacidades do Falcon 8X em condições climáticas severas, reforçando o histórico da marca em engenharia de alto desempenho.
O sucesso da operação da ACASS marca um passo importante para o futuro da aviação executiva polar e reforça o papel do Falcon 8X como uma das aeronaves mais avançadas de sua categoria. Além do prestígio técnico, o voo também coloca em evidência a crescente demanda por turismo de luxo e expedições exclusivas à Antártida — um dos destinos mais remotos e fascinantes do planeta.
Fonte: Cavok

