Preços dispararam, mas associação das aéreas brasileiras não vê risco de falta de combustível, um risco crescente na Europa.
No início deste mês, a Petrobras aumentou novamente o preço do querosene de aviação (QAV) – efeito dos ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que fez os preços de petróleo, gás e derivados dispararem. Com isso, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), o principal item de custo do transporte aéreo dobrou no país. Agora, as companhias começam a contabilizar os impactos no setor aéreo e no caixa das empresas.
A ABEAR prevê aumento no número de cancelamentos, com um baque esperado para a aviação regional, informam Folha e O Tempo. De acordo com o presidente da entidade, Juliano Noman, o custo mais elevado das passagens, decorrente da alta dos combustíveis, pode desestimular a demanda. Por isso, as companhias já vêm ajustando a malha, reduzindo os voos previstos para os próximos meses.
Um levantamento da ABEAR a partir de dados da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) mostra uma queda no número de voos projetados para o mês de maio. O número considera especificamente o mercado doméstico e regular, sem táxis aéreos, fretados, aviação executiva etc..
Em 2 de abril de 2026, eram previstos para maio 2.193 voos por dia no Brasil, patamar que caiu para 2.121 voos diários em 6 de maio, quando a associação voltou a monitorar. No total projetado para o mês, há 2.225 voos a menos em todo o país em relação à primeira projeção.
O preço do querosene de aviação afetou os resultados financeiros das companhias aéreas. Nos balanços de janeiro a março, divulgados na semana passada, as empresas anunciaram prejuízo decorrente da alta dos combustíveis. A LATAM, por exemplo, disse que a guerra causou um impacto de US$ 40 milhões (cerca de R$ 200 milhões) no primeiro trimestre.
Se o valor preocupa, o mesmo não ocorre com a oferta de combustível de aviação no Brasil. A ABEAR não vê risco de falta nos próximos meses, já que a maior parte do QAV utilizado pelas empresas aqui é produzida no país.
Uma situação bem diferente do que vem ocorrendo na Europa. Sem reforço no abastecimento, a escassez de combustível pode provocar mais atrasos e cancelamentos de voos no continente às vésperas da alta temporada de verão, destaca a BBC Brasil.
Sem falar, claro, no preço. No fim de fevereiro, antes do conflito no Oriente Médio, o combustível de aviação era negociado a US$ 831 (R$ 4.150) por tonelada na Europa. No início de abril, chegou a US$ 1.838 (R$ 9.190) – alta de mais de 120%. Recuou, mas mantém-se acima de US$ 1.500 (R$ 7.500).
Fonte: Clima Info
