Macaúba pode revolucionar produção de combustível sustentável de aviação

Inauguração de novo centro de pesquisa no Norte de Minas, para viabilizar esse uso da planta, foi destacada nesta segunda (12), em audiência da Comissão de Minas e Energia da ALMG.


De um lado, a dificuldade de se eletrificar aviões comerciais em função, por exemplo, do peso das baterias. Do outro, a macaúba, uma árvore típica do semiárido e do Cerrado que produz de sete a dez vezes mais óleo para biocombustível por hectare do que a soja e pode ser usado largamente na aviação.

A exploração em grande escala dessa planta promete unir as duas pontas desse mercado por meio de um centro de tecnologia e inovação do agronegócio que deve ser inaugurado no próximo mês na região de Montes Claros (Norte).

Esse avanço foi destacado em audiência pública da Comissão de Minas e Energia realizada na tarde desta segunda-feira (12/5/25), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A reunião atendeu requerimento do presidente da comissão, deputado Gil Pereira (PSD).

Além do potencial energético, Gil Pereira lembrou que a macaúba é uma cultura perene e que não compete com a produção de alimentos, já que pode ser usada para recuperar terras degradadas. Por esse motivo, segundo ele, a empresa de energia Acelen se programa para, por meio da melhoria genética e de cultivo, estabelecer em Minas Gerais uma cadeia de produção de biocombustíveis a partir dessa planta.

Graças ao investimento de R$ 314 milhões, o Centro de Tecnologia e Inovação do Agronegócio, o Acelen Agripark, foi construído em uma área de 138 hectares. Ele terá no futuro capacidade para produção de 1,7 milhão de sementes por mês e 10,5 milhões de mudas por ano, conforme lembrou o presidente da Comissão de Minas e Energia.

O investimento inicial da Acelen no Brasil é de US$ 3 bilhões, com potencial é de gerar até 85 mil postos de trabalho diretos e indiretos, sobretudo voltados para a agricultura familiar, e movimentar até 2035 um total R$ 40 bilhões na economia nacional.

Tudo isso graças a palmeira bem conhecida pela população norte-mineira que alcança até 25 metros de altura, frutos marrom-amarelados, espinhos e, o melhor, boa tolerância a ambientes secos, ao estresse hídrico e a variações climáticas. Uma biorrefinaria baiana será o destino do óleo produzido em solo mineiro.

A deputada Carol Caram (Avante), que também integra a Comissão de Minas e Energia, reforçou o otimismo do colega com esse novo empreendimento. “Precisamos explorar novas fronteiras na produção de energia. Temos o exemplo da Cemig que não consegue mais dar conta das demandas de infraestrutura em nosso Estado. E nada melhor do que achar novos caminhos de desenvolvimento de forma sustentável”, completou.

Comissão de Minas e Energia - debate sobre a utilização da macaúba como potencial combustível
A macaúba recupera terras degradadas e do seu fruto é extraído óleo que pode tornar a aviação mundial mais sustentável Álbum de fotosFoto: Elizabete Guimarães

Solução de problema global pode passar pelo Norte de Minas

É pela possibilidade de uso na produção de biocombustível para aviação comercial que a macaúba parece mais promissora. É o que explicou, em sua apresentação na audiência, o vice-presidente Operacional da Acelen Renováveis, Marcelo Cordaro.

Segundo ele, atualmente, 23% da emissão de gases de efeito estufa é feita em função da mobilidade, e a aviação em geral é responsável por 3% disso. Embora possa parecer pouco, trata-se de um custo alto, com poucas alternativas. É aí que entra a macaúba como matéria-prima do combustível sustentável de aviação, ou SAF, sigla em inglês que representa esse filão de mercado.

Essa opção pelo Norte de Minas, segundo ele, pareceu a mais lógica e rápida após cerca de dois anos e meio de prospecção da empresa, tanto que o Acelen Agripark a ser inaugurado no próximo mês levou apenas dez meses para ser erguido.

“Nosso ponto de partida foi o contexto das mudanças climáticas e a necessidade de novos combustíveis renováveis como solução em termos de mobilidade para reduzir o aquecimento global”, justificou.

Produção do óleo de macaúba gera novos investimentos no Norte de MinasTV Assembleia

“Não podemos desmatar ou substituir a produção de alimentos. O fato de a macaúba ser nativa traz vantagens até pelo conhecimento acumulado de forma popular e pelas universidades para explorar essa cultura de forma vertical e em grande escala, mas também sustentável”, avalia Marcelo Cordaro.

O biocombustível emite até 80% menos emissão do combustível fóssíl e a expectativa da empresa é de que a macaúba se torne a biomassa mais competitiva do mundo tanto em termos de SAF quanto para motores movidos a biodiesel (HVO), no caso de veículos terrestres e navios.

Além da aptidão regional para o cultivo e do clima favorável, a empresa levou em conta a disponibilidade de terras para plantio e, futuramente, instalação dos hubs de extração de óleo. “E as biorrefinarias do futuro também serão instaladas nas áreas de produção de óleo”, antecipa, o que pode trazer mais investimentos para o Norte de Minas.

“O Brasil tem duas Alemanhas de terras degradadas. Se explorarmos apenas 1% disso chegaremos perto de produzir todo SAF que o mundo precisa”, comparou Marcelo Cordaro.

“Esse é um problema global que precisa de uma solução em rede. A Acelen é uma startup colaborativa que prevê a colaboração global. Nosso desafio é produzir SAF de forma competitiva e a macaúba foi a melhor solução que nós encontramos. Será uma contribuição importante num mercado global em termos de reduzir o efeito estufa”.

Projeto tem ligação com Montes Claros e Salvador

Também participaram da audiência diversas lideranças políticas do Norte de Minas, unânimes em elogiar o projeto. Entre eles o prefeito de Montes Claros, Guilherme Augusto Guimarães de Oliveira, que venceu a concorrência de Salvador, onde já funciona uma refinaria de biodiesel da mesma empresa.

“O poder hoje no mundo está na produção de energia e Montes Claros, que já é um importante polo farmacêutico da América Latina, quer ser a Arábia Saudita da energia sustentável”, definiu. 

A audiência da Comissão de Minas e Energia contou ainda com representantes de instituições superiores de ensino e pesquisa, de entidades de produtores e trabalhadores rurais e órgãos de fomento financeiro e atração de investimentos, como a Agência de Promoção de Investimento e Comércio Exterior de Minas Gerais (InvestMinas).

O diretor de Atração de Investimentos da Invest Minas, Ronaldo Alexandre Barquette, também destacou a importância do empreendimento, tanto na perspectiva de desenvolvimento estratégico da região quanto no contexto social, já que serão gerados empregos de todos os níveis de conhecimento, agregando valor em todo o processo.

Fonte: ALMG

Instituto de Cartografia Aeronáutica completa 42 anos com foco em inovação e excelência na navegação aérea brasileira

O Instituto de Cartografia Aeronáutica (ICA), organização militar subordinada ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), completou 42 anos de existência no último sábado (10). Desde sua criação, a Unidade vem evoluindo e contribuindo para a segurança da navegação aérea no Brasil, com foco na gestão da geoinformação aeronáutica.

Com a missão de gerenciar a informação aeronáutica, por meio da elaboração de procedimentos de navegação aérea, da cartografia aeronáutica e da concepção do espaço aéreo brasileiro, o ICA conta com mais de 200 profissionais, entre militares e civis, que prestam à sociedade um serviço de extrema qualidade e relevância para o país.

“Realizamos atividades multidisciplinares que envolvem a confecção de cartas de navegação aérea para voos visuais e por instrumentos; a coleta e apresentação de dados cartográficos; a validação de Planos Básicos de Zona de Proteção de Aeródromos, Helipontos e Auxílios à Navegação Aérea em todo o território nacional; além da confecção e divulgação de NOTAMs, que são mensagens aos aeronavegantes com informações sobre alterações e/ou restrições temporárias que possam impactar as operações aéreas”, explicou o Diretor da Unidade, Coronel Aviador Devilan Dutra Paulon Júnior.

Inovação e comprometimento marcam a qualidade dos serviços prestados pelo ICA. Seja na confecção de cartas aeronáuticas com modernos softwares, na redução da emissão de carbono e na atenuação de ruídos, ou mesmo na implantação de um sistema de gerenciamento de aeródromos (SYSAGA), a Unidade segue acompanhando as evoluções tecnológicas, ciente de sua importância para o cenário da aviação mundial.

“Este ano de 2025 marca a visão de futuro do ICA no que diz respeito a se tornar uma referência global no gerenciamento dos serviços de geoinformação aeronáutica, reconhecida pela inovação, sustentabilidade e excelência na produção de cartas, procedimentos de navegação aérea e concepção do espaço aéreo brasileiro”, finalizou o Diretor-Geral do DECEA, Tenente-Brigadeiro do Ar Maurício Augusto Silveira de Medeiros.

Fonte: FAB