Bombardier reforça equipe executiva e amplia estratégia em defesa

Bombardier anuncia novas nomeações na liderança para fortalecer áreas como Defesa e desenvolvimento de produtos, vendas e serviços na aviação de negócios


A Bombardier anunciou hoje (20), mudanças em sua equipe executiva com foco no fortalecimento do relacionamento com clientes, na evolução da divisão de defesa, na continuidade do aprimoramento de produtos e na captura de oportunidades estratégicas de longo prazo por meio de investimentos e operações de fusões e aquisições (M&A). 

As nomeações têm efeito imediato. Segundo Éric Martel, presidente e CEO da Bombardier, foram concluídos múltiplos objetivos estratégicos nos últimos anos.

Os novos postos

Com a mudança, Sandra Hodgkinson, que estava há quatorze anos na Leonardo, assume o cargo de Vice-Presidente Sênior de Estratégia e M&A. Stephen McCullough foi nomeado Vice-Presidente Executivo de Engenharia, Desenvolvimento de Produtos e de Defesa. 

Já Paul Sislian assume como Vice-Presidente Executivo de Vendas e Serviços. Mercedes Glockseisen foi anunciada como Vice-Presidente Sênior, Conselheira Geral e Secretária Corporativa. Ambos estão há mais de dez anos trabalhando no fabricante.

Glockseisen irá substituir Pierre Gagnon, que se aposenta em junho, mas permanecerá na empresa até lá como Vice-Presidente Sênior e Assessor Especial do CEO, apoiando a transição da liderança. 

Fonte: Aero Magazine

Jatos comerciais da Embraer serão destaque na Wings India 2026

Hyderabad, 21 de janeiro de 2026 – A Embraer (NYSE: EMBJ / B3: EMBJ3) exibirá as aeronaves comerciais E195-E2 e E175 na Wings India 2026, em Hyderabad, a partir de 28 de janeiro. A participação da Embraer no evento reforça o compromisso da companhia de oferecer soluções sob medida para atender às necessidades da aviação do país, contribuindo para a conectividade regional e para a aviação sustentável no mercado local. Ambas as aeronaves oferecem às companhias aéreas capacidade de abrir novas rotas, conectando metrópoles regionais a cidades do interior.

O E195-E2, em exibição estática, é um dos jatos mais eficientes do mundo, com consumo de combustível até 29% menor que a geração anterior. Com capacidade de 132 a 146 passageiros em corredor único, oferece capacidade adequada para o segmento de até 150 assentos. A família de jatos E2 oferece alta rentabilidade por assento e é certificada para operar com blends de até 50% de combustível de aviação sustentável (SAF), além de já ter comprovado a capacidade de operar com 100% de SAF.

O E175 é reconhecido por seu desempenho e já integra uma parte significativa da frota da Star Air na Índia. Nos Estados Unidos, o modelo lidera o mercado regional, com 80% de participação. Melhorias recentes em aviônica, cabine e serviços a bordo elevaram a experiência do passageiro, alinhando o E175 aos padrões da família E2.

“O programa E‑Jet da Embraer é um dos mais bem‑sucedidos da indústria”, afirma Adity Shekhar, vice‑presidente regional de Vendas da Embraer. “A família de E‑Jets pode ampliar e fortalecer a conectividade entre metrópoles e cidades do interior da Índia, atendendo a mercados ainda pouco explorados.”

A Embraer é a principal fabricante de jatos comerciais com até 150 assentos. Os E‑Jets e E‑Jets E2 são operados por mais de 80 companhias aéreas em 50 países, com mais de 1.900 unidades entregues. Hoje, cerca de 50 aeronaves da Embraer, de 11 modelos, operam na Índia, atendendo à Força Aérea Indiana, órgãos governamentais, operadores de aviação executiva e a Star Air. A companhia também propõe o C‑390 Millennium para o programa de Aeronaves de Transporte Médio (MTA) da Força Aérea Indiana, em parceria com um conglomerado local no modelo “Made in India”.

Como “Parceira de Inovação em Aviação” da Wings India 2026, a Embraer oferece soluções que impulsionam o crescimento sustentável e a conectividade do país. A família E2, com eficiência e conforto elevados, é adequada para abrir novas rotas e otimizar operações. Clientes e visitantes poderão conhecer o portfólio da Embraer no Estande 9B, Hall B.

Sobre a Embraer

Empresa aeroespacial global com sede no Brasil, a Embraer atua nos segmentos de Aviação Comercial, Aviação Executiva, Defesa & Segurança e Aviação Agrícola. A Companhia projeta, desenvolve, fabrica e comercializa aeronaves e sistemas, além de fornecer serviços e suporte aos clientes no pós-venda.

Desde sua fundação, em 1969, a Embraer já entregou mais de 9 mil aeronaves. Em média, a cada 10 segundos, uma aeronave fabricada pela Embraer decola de algum lugar do mundo, transportando anualmente mais de 150 milhões de passageiros.

A Embraer é líder na fabricação de jatos comerciais de até 150 assentos e a principal exportadora de bens de alto valor agregado do Brasil. A empresa mantém unidades industriais, escritórios, centros de serviço e de distribuição de peças, entre outras atividades, nas Américas, África, Ásia e Europa.■

Fonte: aereo.jor.br

Como reconhecer as condições climáticas que podem impactar os voos a ponto de atrasá-los ou cancelá-los?

Na aviação, a inteligência meteorológica é fundamental para garantir a segurança e eficiência dos voos. Pilotos e passageiros frequentemente se preocupam com o clima, afinal, fenômenos como tempestades, nevoeiros, ventos fortes, neve e gelo podem tornar uma viagem desafiadora.

No entanto, existem diversos padrões e limites definidos para manter uma operação segura. Então, quais condições são realmente “ruins demais” para voar? Quando um voo deve ser cancelado em vez de apenas atrasado? E quais situações o piloto deve evitar durante o voo?

A ideia desta publicação não é entrar em aspectos técnicos, mas apenas relatar condições que o passageiro comum pode reconhecer em um aeroporto.

ENTENDENDO DOS LIMITES – Ao contrário do que muitos imaginam, aviões comerciais modernos são projetados para voar em praticamente todas as condições meteorológicas e raramente são afetados por mau tempo severo.

Em casos de previsões de tempo extremo, aeroportos e companhias aéreas podem optar por cancelar voos previamente, minimizando atrasos e transtornos posteriores e garantindo que a maioria dos passageiros chegue ao destino com a maior rapidez possível.

Voando em nuvens baixas – Nuvens baixas geralmente não representam risco para o voo, pois o problema real está na visibilidade reduzida que elas podem causar. Nuvens que tocam o solo caracterizam o nevoeiro, que será abordado a seguir.

Voando em nevoeiro – O nevoeiro costuma ser localizado e irregular, afetando alguns aeroportos enquanto outros próximos permanecem com boa visibilidade.

A visibilidade reduzida impacta diretamente as operações, causando atrasos, especialmente durante pouso e decolagem, fases que demandam mais controle manual. Muitos aviões modernos contam com sistemas de pouso automático que permitem aterrissagens mesmo em zero visibilidade, mas o táxi no solo ainda depende da visão do piloto, limitando a movimentação.

Quando a visibilidade cai abaixo dos limites estabelecidos, o aeroporto ativa os Procedimentos de Baixa Visibilidade (LVP), que restringem o número de aeronaves em movimento para evitar acidentes. Em muitos casos, o próprio aeroporto pode fechar devido ao nevoeiro.

Voando sob forte chuva – A chuva geralmente não dificulta o voo, mas combinada a ventos fortes pode exigir mudanças na rota ou atrasos. A visibilidade é o fator crítico, especialmente em velocidades lentas no pouso ou táxi. Em cruzeiro, o fluxo de ar limpa eficazmente os para-brisas. Mesmo assim, aviões voam majoritariamente por instrumentos, minimizando os impactos da chuva.

Imagem: DECEA

Voando com ventos normais – O vento influencia diretamente o tempo de voo. Ventos de cauda aceleram a aeronave, encurtando a viagem, enquanto ventos contrários retardam o percurso.

Durante decolagem e pouso, é comum que o avião enfrente ventos de frente para reduzir a velocidade relativa ao solo. Ventos cruzados podem complicar essas operações, e aeroportos geralmente possuem pistas orientadas em diferentes direções para mitigar esse problema.

Voando com ventos fortes – Aeronaves modernas suportam ventos fortes, embora eles possam causar turbulência desconfortável para passageiros e tripulação. Ainda que turbulências sejam desagradáveis, raramente representam risco.

Voando em neve ou gelo – Os aviões são projetados para operar em condições de frio intenso e neve durante o voo, contando com sistemas de degelo para evitar acúmulo perigoso em asas e superfícies.

A maior preocupação é com as condições das pistas e taxiways, além do processo de degelo antes da decolagem. Chuvas congelantes são especialmente perigosas por acumularem gelo rapidamente, e nestes casos é preferível manter a aeronave no solo.

Voando em tempestades – Tempestades apresentam os maiores riscos, com turbulências severas que podem causar danos estruturais. Felizmente, tempestades costumam ser localizadas, sendo possível identificar e desviar delas. Apesar do medo comum, raios raramente causam danos significativos, pois os aviões são projetados para suportá-los.

Voando sob sol e calor intenso – Aviões operam normalmente em altas temperaturas, mas o ar quente é menos denso, o que afeta o desempenho dos motores e a aerodinâmica, aumentando a distância necessária para decolagem e reduzindo capacidade de carga. Tudo isso é levado em conta no planejamento dos voos.

Importância do monitoramento meteorológico – Acompanhar as condições climáticas em tempo real é vital para garantir voos seguros e eficientes. Diferentes fenômenos impactam de formas variadas, e o gerenciamento contínuo dessas informações permite ajustes na rota e decisões acertadas.

Ferramentas avançadas fornecem previsões meteorológicas altamente precisas, auxiliando companhias aéreas a escolher rotas mais rápidas e seguras, melhorando a experiência dos passageiros e reduzindo custos com desvios e cancelamentos.

Fonte: Aeroin

O jato leve de entrada mais entregue do mundo, Cessna Citation M2 Gen2 começa a operar com aceleradores automáticos da Garmin

A Textron Aviation reportou nessa semana que o jato executivo Cessna Citation M2 Gen2 com Garmin Autothrottles (Aceleradores automáticos) entrou recentemente em operação.

Certificado pela Administração Federal de Aviaçãodos Estados Unidos (FAA) em outubro de 2025, a integração do sistema Autothrottle da Garmin no Citation M2 Gen2 reforça ainda mais as capacidades do jato leve de entrada mais entregue do mundo, proporcionando maior controle e precisão aos pilotos, descreve a fabricante.

Continuamos investindo em nossos produtos para oferecer aos clientes a melhor experiência de aviação do mundo”, disse Lannie O’Bannion, vice-presidente sênior de Vendas e Marketing. “O M2 Gen2 lidera seu segmento como o jato leve de entrada mais entregue, estabelecendo o padrão de desempenho e inovação. Com os Garmin Autothrottles agora disponíveis, os pilotos ganham uma experiência de voo mais intuitiva e eficiente, elevando cada jornada.”

A adição dos Garmin Autothrottles ao M2 Gen2 auxilia o piloto durante todo o voo e oferece proteção contra condições de excesso ou falta de velocidade. A tecnologia Autothrottle permite que os pilotos se concentrem em diversas atividades críticas para a operação no cockpit, proporcionando transições mais suaves e maior controle durante toda a operação de voo.

Fonte: Aeroin

Inscrições abertas para Curso Técnico em Manutenção Aeronáutica em Grupo Motopropulsor

Parceria entre Anac e IFSP; o curso é voltado à formação de Mecânicos de Manutenção Aeronáutica e prioriza pessoas de baixa renda, preferencialmente mulheres


Estão abertas, de 12 a 15 de janeiro, as inscrições para o processo seletivo do Curso Técnico em Manutenção Aeronáutica em Grupo Motopropulsor (GMP), na forma subsequente ao ensino médio. A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), por meio do Campus São Carlos. 

O curso será oferecido em caráter experimental, na modalidade presencial, e tem como objetivo a formação de Mecânicos de Manutenção Aeronáutica, com foco na capacitação teórica e prática. Ao todo, serão ofertadas 40 vagas, prioritariamente destinadas a pessoas de baixa renda, com ensino médio completo, preferencialmente mulheres, residentes nos municípios de São Carlos e Ibaté (SP). 

Formação e bolsas assistenciais 

As aulas estão previstas para início em fevereiro de 2026, com duração de até 24 meses de formação teórica e prática, no período noturno. Além disso, o curso prevê a concessão de bolsas assistenciais no valor de R$ 700 mensais, por até 36 meses, para até 40 estudantes, abrangendo todo o período de formação, inclusive a atividade vinculada exigida para obtenção da habilitação profissional, mediante avaliação prática. 

Para manutenção da bolsa durante a formação junto ao IFSP, é necessário que o(a) estudante tenha frequência mínima de 75% e média igual ou superior a 6 em cada disciplina. A manutenção da bolsa após conclusão da formação fica condicionada à aprovação da avaliação teórica da Anac até quatro meses após obtenção do diploma. 

O Campus São Carlos do IFSP possui certificação conforme a Instrução Suplementar (IS) nº 141-002B, de acordo com a Portaria nº 3.311/SPO, de 24 de outubro de 2019, e o curso seguirá o Projeto Pedagógico do Técnico em Manutenção Aeronáutica em GMP vigente na unidade. 

Programa Asas para Todos 

O treinamento integra o programa Asas para Todos, da Anac, criado para fomentar a diversidade, a inclusão e a capacitação na aviação civil brasileira. A ação faz parte do subprograma “Mulheres na Aviação”, que busca ampliar a participação feminina no setor, e compõe o pilar social da Política de Sustentabilidade da Agência.  

O programa é voltado à ampliação do acesso à aviação civil por diferentes camadas da população, com foco em pessoas de baixa renda e mulheres. 

Para mais informações sobre a iniciativa, acesse o hotsite do programa Asas para Todos. 

Curso Técnico em Manutenção Aeronáutica em Grupo Motopropulsor 

Período de inscrição: 12 a 15/1 

Total de vagas: 40 

Link para inscriçãohttps://processoseletivo.ifsp.edu.br/ 

Edital: Edital nº 042/2025 

Dúvidasprocessoseletivo.scl@ifsp.edu.br 

Fonte: Anac

Aviação Executiva Tem Ano Histórico em 2025. O Que Mudou?

Dados mostram que houve 3.878.836 voos de jatos privados no mundo em 2025. Isso foi 4,6% acima de 2024


A demanda por voos em jatos particulares voltou a atingir nível recorde. Em 2025, os voos de aviação executiva superaram as máximas anteriores. A primeira havia sido registrada em 2021 e foi superada em 2022. Naquele período, o impulso veio da Covid-19: viajantes queriam evitar aglomerações. As companhias aéreas cancelaram milhares de voos e centenas de rotas enquanto o mundo parecia entrar em estagnação.

Para famílias com meios e empresas que não podiam conduzir negócios virtualmente, a aviação privada muitas vezes se tornou a forma mais lógica de chegar onde precisavam. Uma lei do governo dos Estados Unidos significou que os passageiros economizaram o imposto federal de consumo de 7,5%. Com a maioria dos jatos privados no chão no início da pandemia, havia barganhas nos primeiros meses, enquanto as operadoras buscavam reacender a demanda. O marketing se concentrou em tratamentos especiais e processos de limpeza para aliviar o medo do vírus mortal.
Para a aviação de negócios, como o setor se autodenomina, a pandemia encerrou o que ficou conhecido como “a década perdida” — a recuperação dolorosamente lenta após o tombo causado pela Grande Recessão. Durante a crise financeira iniciada em 2008, dados do ARGUS TRAQPak mostram que as horas de voo na América do Norte caíram 25,2% entre 2007 e 2009.

Agora, todos os sinais apontam que a atual escalada continuará. No entanto, não é pelos motivos que mais aparecem na mídia — aquelas histórias sobre estilo de vida com caviar, influenciadores em grandes Gulfstreams, menus assinados por chefs famosos, pets paparicados, apps que se dizem “tipo Uber ou Expedia”, compartilhamento de jatos e voos de “empty leg” baratos.

Portanto, embora boa parte da cobertura foque no brilho, eis um panorama de onde a indústria está, o que impulsiona o surto atual, o que vem a seguir e por quê.

Dados da WingX mostram que houve 3.878.836 voos de jatos privados no mundo em 2025. Isso foi 4,6% acima de 2024. Também representou 113.901 voos a mais que o recorde anterior de 3.764.935 em 2022 — um aumento de mais de 300 decolagens por dia acima daquela marca.

O número de voos em 2025 foi 34% maior que os níveis pré-pandemia de 2019. Isso reflete o poder de retenção da aviação privada pós-Covid em manter novos usuários. Mas também reflete as contas bancárias de seus maiores grupos de usuários. A população de consumidores ultrarricos cresceu de pouco menos de 300 mil para mais de 520 mil no período, segundo a WealthX. Ou seja, há mais pessoas com dinheiro para voar com regularidade no céu particular. Igualmente importante, os lucros corporativos subiram. O Bureau of Economic Analysis registra alta de 94%, o que significa que as empresas estavam mais aptas a manter viagens de jato privado no orçamento.

Os EUA são, de longe, o maior mercado de aviação privada, e o crescimento por lá ajudou os números gerais. A atividade de jatos privados nos EUA também bateu recorde no último ano. Porém, o crescimento também vem de outros lugares. A fatia americana nas decolagens globais caiu de 70,6% em 2019 para 67,9% no ano passado. A América Latina, com apenas 6% do mercado, cresceu 11% ano a ano. A África avançou 15% no ano, mesmo representando só 1% do mercado global.

Até a Europa, apesar do forte movimento anti-riqueza que mira a aviação privada, registrou alta de 1% ante 2024. Apesar de pedidos para banir o setor e de aumentos de impostos, os 555.254 voos de jatos de negócios na Europa no ano passado superaram os 523.653 de 2019. Os voos privados ficaram abaixo do recorde de 600.382 decolagens de 2022. Ainda assim, 2025 foi o segundo melhor ano da história do continente em segmentos de voo.

Para entender para onde as coisas vão, ajuda lembrar que, a grosso modo, o voo se divide em dois grupos: quem é dono do jato e quem acessa via charter avulso, cartões de jato (jet cards), memberships ou propriedade fracionada — um modelo de economia compartilhada.

Proprietários compram jet cards, fretam voos e até cotas fracionadas quando sua aeronave está em manutenção, fora de posição, quando querem evitar rastreadores ou quando seu próprio avião não é o ideal para a missão.

Ao contrário da narrativa, não se trata de excesso. Pense como os carros na sua garagem: você provavelmente não usaria o conversível numa nevasca. O SUV seria a escolha sensata.

Da mesma forma, você tem um King Air, ótimo para viagens regionais. Em trechos longos, o turboélice mais lento e as paradas para reabastecer pedem uma aeronave mais veloz e com maior alcance. Para esses voos, você faz charter ou compra um jet card.

Talvez você tenha um jato leve de seis lugares, perfeito para viagens semanais de negócios, com várias paradas no mesmo dia em locais remotos. Para as viagens com a família estendida, algumas vezes por ano, para sua casa em Los Cabos, com 12 pessoas, você precisa de um jato maior — de novo, charter ou jet card.

Similarmente, você pode ter uma cota fracionada ou ser dono de um jato de ultra-longo alcance que te leva sem escalas de Recife a Estocolmo. Mas, para pousar numa pista curta nas Bahamas ou num aeroporto pequeno no oeste do Texas, você precisa de acesso a um turboélice via fração, jet card ou charter avulso.

Taylor Swift, que possui seu próprio jato, já foi vista voando com a VistaJet. Também não é incomum passageiros terem múltiplos jet cards — um melhor para “pernadas” curtas e outro mais eficiente em custo para trechos longos.

Observando esses dois grandes segmentos, são os voos de operadores de charter e fracionados que puxam a maior parte dos ganhos. Nos EUA, gigantes como NetJets e Flexjet vêm adicionando aeronaves tão rápido quanto os fabricantes conseguem entregá-las. A NetJets tem mais de 800 jatos nas frotas dos EUA e Europa e espera receber cerca de 100 novos este ano. No outono passado, um executivo disse que bem mais da metade do inventário de 2026 já estava pré-vendido. Segundo a WingX, os totais de voos de charter e fracionados aumentaram 45,2% em relação a 2019.

Comentando os dados, Richard Koe, diretor-gerente da WingX, observou que, após quedas em 2023 e na maior parte de 2024 — e mesmo com o forte endosso à aviação privada pelo senador de Vermont Bernie Sanders — os ventos favoráveis recentes correlacionam com a eleição presidencial de 2024 nos EUA e o retorno de Donald J. Trump para um segundo mandato.

“Nos últimos 12 meses vimos um aumento significativo na atividade global de jatos de negócios, com a tendência ascendente começando no 4º tri de 2024 e em grande parte coincidindo com a ascensão do governo Trump”, disse Koe, acrescentando: “A demanda crescente nos EUA em 2025 correlaciona com um crescimento econômico melhor que o esperado, mercados de ações fortes e grandes investimentos corporativos em inteligência artificial.”

Sem dúvida, em 2025 o crescimento foi sustentado. Ao longo dos últimos 12 meses, os segmentos de voos privados superaram os totais do ano anterior em 46 semanas, empataram em três e ficaram no vermelho em apenas três.

Embora seja divertido ver fotos daqueles jatos maiores com comissários e mimos como tratamentos de spa a bordo, ou celebridades descendo de um jato grandalhão num destino chique, os dados contam outra história. A WingX relata que 43,6% de todos os voos privados no mundo foram em variados tipos de jatos leves, usados principalmente para trechos curtos, geralmente de uma ou duas horas. Os dados da ARGUS, que incluem turboélices, mostram que essas aeronaves de hélice respondem por 23,0% das horas voadas na aviação privada norte-americana.

Longe dos Boeings 747 privados do Qatar, os jatos leves e turboélices se parecem mais com viajar num SUV do que com uma suíte de hotel no céu. A altura de cabine do Embraer Phenom 300, o jato leve mais vendido, e de turboélices similares, é inferior a 1,52 m. Essa altura vem de um corredor rebaixado, com assentos um pouco elevados para você não bater a cabeça ao se levantar. E, embora o couro costurado à mão possa ser elegante e confortável, não é espaçoso: você acaba encostando os pés no passageiro à sua frente sob a mesinha retrátil. Nem micro-ondas há. Pense em sanduíches frios e frutas cortadas em caixa de papelão ou plástico. A maioria dos habitués usa o banheiro em solo antes de decolar, evitando a “ginástica” aérea dos lavatórios pequenos. Aliás, comissários você só encontra com regularidade nos jatos grandes, preferidos por bilionários.

Ainda assim, é fácil entender a fixação da mídia pelos jatos de US$ 70 milhões que voam 15 horas sem escala. Além de renderem fotos mais divertidas, com quartos, cozinhas completas, escritórios, salas de mídia e jantar, as categorias de jatos grandes rastreadas pela WingX responderam por 25,8% das decolagens no último ano. À medida que a riqueza cresce, também encontram público mais amplo. Voos de jatos de ultra-longo alcance aumentaram 56% desde 2019 no mundo. Nos EUA, partidas em modelos como Gulfstream G650 e Bombardier Global 7500 subiram 69%. O crescimento dessa nova geração, com envergaduras maiores, criou um mercado para hangares privados — para evitar danos nas rampas cada vez mais lotadas.

Mas, se a forma como a maioria voa privadamente é mais Mazda do que Maserati ou Maybach — e sem gastronomia sofisticada — por que o surto?

Segundo pesquisa do Private Jet Card Comparisons — cujos leitores esperam voar mais de 40 horas privadamente nos próximos 12 meses — 94% citam variações de economia de tempo como razão para pagar cinco dígitos por um voo. Por exemplo, um voo direto de 1 a 3 horas de um aeroporto mais perto de onde você mora para outro mais perto de onde vai substitui 6 a 8 horas entre deslocamentos, perrengues e tempos gastos, além de conexões em hubs congestionados. Nos EUA, aeronaves privadas operam em mais de 5.000 aeroportos; as companhias regulares atendem menos de 500. Em alguns casos, o voo privado substitui uma longa viagem de carro. Tempo é dinheiro. Só 44% dos respondentes disseram considerar a aviação privada uma experiência de luxo.

A ARGUS TRAQPak ainda não publicou os números finais de 2025. Porém, seus analistas — historicamente conservadores — projetam crescimento de 1,9% para a América do Norte em 2026, segundo o VP sênior Travis Kuhn. Isso equivaleria a pelo menos 100 mil horas adicionais de voo, implicando várias centenas de decolagens a mais por dia neste ano.

Kuhn afirma: “Em 2025, vimos um retorno a um crescimento forte e estabilizado na indústria e estamos bem posicionados para mais em 2026. Continuaremos monitorando o aumento nas entregas no mercado fracionado, a demanda geral no Part 135 (charter e jet cards) e a recuperação no Part 91 (aeronaves próprias).”

Fabricantes de jatos privados têm carteiras de pedidos em patamares recordes ou próximos disso. A revista Flying informa que a espera pelos Gulfstream e Bombardier mais caros varia de 18 a 30 meses.

Alisdair Whyte, editor do Corporate Jet Investor, chamou a era atual de período do “não fique de fora” em sua newsletter semanal. Durante o boom da Covid, as empresas aprenderam rapidamente que a oferta de jatos não é ilimitada. Quem esperou encontrou prateleiras quase vazias no mercado de seminovos — apenas o que os outros não queriam — e ainda a preços inflados. Vários programas de jet card pararam de aceitar novos clientes. Operadores fracionados, que normalmente oferecem leases provisórios para o comprador voar imediatamente, suspenderam ou restringiram o acesso até a chegada dos novos jatos, às vezes mais de um ano depois.

Anos após a pandemia, operadores relatam estarem manietados por problemas de cadeia de suprimentos e uma rede de manutenção pouco confiável que mantém jatos no chão — e sem gerar receita — por mais tempo do que gostariam. A Flexjet está processando a Honeywell em mais de US$ 1 bilhão, alegando falhas na manutenção de motores que a fabricante fornece a muitos de seus jatos. Antes de fechar em 2023, a Jet It — que crescera rapidamente — fez alegações semelhantes contra a Honda Aircraft Company, plataforma em que baseara seu negócio.

E como vai financeiramente o setor? Difícil dizer. Grande parte é de capital fechado ou subsidiária de grupos maiores que não detalham as finanças.

Na assembleia de 2023, o falecido Charlie Munger disse que, após anos de desafios, a NetJets havia se recuperado e poderia ser avaliada como uma grande companhia aérea — algo em torno de US$ 9 bilhões. Um investimento de US$ 800 milhões na Flexjet por um private equity apoiado pela LVMH lhe deu valor implícito de cerca de US$ 4 bilhões.

Ainda assim, desde que a demanda ganhou força no segundo semestre de 2020, três operadores que figuravam entre os 20 maiores por horas de voo — Jet It, Verijet e Volato — pediram falência ou encerraram seus programas. Para a Wheels Up, a quarta maior nos EUA, foi preciso um grupo de investidores liderado pela Delta Air Lines e US$ 500 milhões para evitar destino similar em 2023. Isso sem contar a AeroVanti, com cerca de 400 membros e dívida estimada em até US$ 30 milhões quando fechou, em meio a alegações de fraude. Apesar das quebras, há pouca evidência de que os usuários abandonem a aviação privada: concorrentes costumam relatar alta na procura, enquanto os “órfãos” voltam ao mercado e escolhem outro programa.

Se voar privado está fora do seu orçamento, console-se: é uma minoria raríssima que saboreia Lobster Thermidor servido por luvas brancas a 45 mil pés. Nem está claro quantos clientes querem todo esse aparato. Um CEO conta que, quando sua empresa trocou os snacks simples por opções gourmet, os clientes exigiram a volta dos Doritos. Em outras palavras, para a maioria, eles “saltam” no jato pelo mesmo motivo que você pega o carro em vez do ônibus: é mais rápido e dá para pagar. Se a história ensina algo, a aviação privada deve manter a demanda até que clientes sintam seus bolsos — e balanços — apertarem.

Leia mais em: https://forbes.com.br/forbeslife/forbes-motors/2026/01/aviacao-executiva-tem-ano-historico-em-2025-o-que-mudou/

ESG e inovação garantem ao São Paulo Catarina o Prêmio ECO 2025 da Amcham

O São Paulo Catarina Aeroporto Executivo Internacional foi o vencedor do Prêmio ECO 2025, promovido pela Amcham Brasil, uma das mais prestigiadas distinções de sustentabilidade corporativa do País. A edição deste ano reuniu mais de 140 projetos concorrentes. Primeiro aeroporto internacional do Brasil dedicado exclusivamente à aviação executiva, o empreendimento conquistou o reconhecimento com o case ‘Programa de Gestão Socioambiental do São Paulo Catarina Aeroporto Executivo Internacional – Conectando sustentabilidade com a aviação executiva’, que evidenciou práticas inovadoras, mensuráveis e integradas à estratégia de negócio, consolidando seu protagonismo na agenda ESG do setor aéreo.

Criado em 1982, o Prêmio ECO foi pioneiro ao instituir no Brasil o reconhecimento formal de iniciativas empresariais voltadas à sustentabilidade. A premiação destacou o conjunto de ações estruturadas pelo aeroporto e pelo time de Sustentabilidade da JHSF, que abrangem eficiência energética, gestão hídrica, economia circular, descarbonização em toda a cadeia de valor, pesquisa aplicada à conservação da biodiversidade e diálogo permanente com comunidades e parceiros estratégicos. Entre os diferenciais está o programa ‘Catarina Carbon Free’, responsável por tornar o aeroporto o primeiro do Brasil a neutralizar 100% das emissões diretas, indiretas e do abastecimento de aeronaves, promovendo corresponsabilidade ambiental entre operadores e usuários da aviação executiva.

O projeto vencedor também destacou um conjunto de práticas avançadas, como o uso de energia 100% renovável com garantia de origem certificada; a política de zero aterro, com reciclagem e coprocessamento integral dos resíduos e o reaproveitamento de resíduos de combustível de aviação na fabricação de tintas, e o monitoramento da fauna em parceria com o Onçafari, incluindo a onça-parda, integrando conservação ambiental, segurança operacional e ciência aplicada. Além da redução de 45% no consumo energético por metro quadrado e de 34% no consumo hídrico entre 2022 e 2024. Soma-se a isso uma atuação social estruturada, com programas de formação profissional em parceria com Senai e Senac, fortalecendo o capital social no entorno do empreendimento.

“O reconhecimento da Amcham é motivo de grande satisfação e reforça o nosso compromisso com práticas responsáveis e sustentáveis. O São Paulo Catarina Aeroporto Executivo Internacional foi concebido para operar no mais alto padrão, com tecnologia de ponta, eficiência e responsabilidade ambiental desde a sua origem. Seguimos avançando no desenvolvimento de um aeroporto executivo moderno, alinhado às melhores práticas globais e atento ao impacto positivo que geramos no território, contribuindo para operações aeroportuárias executivas cada vez mais eficientes e sustentáveis”, afirma Augusto Martins, CEO da JHSF.

A conquista reforça o compromisso da JHSF em integrar a sustentabilidade às decisões estratégicas de negócio. O aeroporto, que já havia sido eleito em 2023 pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) como o mais sustentável do País em sua categoria, consolida-se agora como referência nacional em práticas socioambientais aplicadas à aviação executiva – um segmento historicamente pressionado por desafios relacionados à descarbonização e à eficiência operaci

Fonte: Portal In

Aeroporto Romeu Zema fecha 2025 com avanços estruturais, voos noturnos e reforço da aviação executiva em Araxá

Segundo a administração, investimentos em iluminação da pista, novos hangares e manutenção dos voos comerciais

O Aeroporto Romeu Zema, em Araxá, encerra 2025 com um balanço positivo nas áreas operacional e de infraestrutura. Em entrevista à Rádio Imbiara, o administrador do aeroporto, Fabiano Cota, destacou os principais avanços registrados ao longo do ano e comentou sobre a movimentação prevista para o período de fim de ano.

De acordo com Fabiano, um dos principais marcos de 2025 foi a reativação das operações noturnas, viabilizada por investimentos em um novo sistema de iluminação da pista, mais moderno e eficiente. Com isso, o aeroporto passa a ter condições de operar 24 horas por dia, ampliando a capacidade operacional e a segurança dos voos.

Outro destaque foi a construção de dois novos hangares, que têm impulsionado a aviação executiva em Araxá. Segundo o administrador, cada vez mais empresas da cidade possuem ou estão adquirindo aeronaves próprias, enxergando o avião como uma ferramenta de trabalho que reduz distâncias e otimiza o tempo dos executivos.

O Aeroporto Romeu Zema, em Araxá, passou por avanços importantes em 2025, com modernização da iluminação da pista, construção de novos hangares e manutenção dos voos comerciais. Foto: Caio César

“O aeroporto contribui diretamente para o desenvolvimento da cidade. Grandes empresas avaliam a logística e o acesso antes de investir, e hoje muitos empresários não utilizam mais rodovias para deslocamentos”, explicou Fabiano.

Movimento de fim de ano

Em relação ao fluxo de passageiros, o aeroporto atende dois perfis principais: turismo e lazer e viagens corporativas, que representam, em média, 50% cada. No entanto, neste período de Natal e Ano Novo, há uma redução significativa do público corporativo, devido ao recesso das empresas, o que impacta a movimentação geral.

Atualmente, Araxá conta com três voos comerciais semanais da Azul, às segundas, quartas e sextas-feiras. Para atender à demanda do fim de ano, a companhia aérea disponibilizou seis voos extras, entre os dias 20 de dezembro e 3 de janeiro, com operações também aos sábados, domingos e quintas-feiras.

Fabiano Cota, administrador do Aeroporto Romeu Zema, apresentou o balanço das atividades de 2025 e falou sobre os investimentos, a retomada das operações noturnas. Foto: Caio César

Fabiano ressaltou que, apesar da redução do tamanho da aeronave utilizada pela Azul, a operação segue estável. Ele lembrou que 2025 foi um ano desafiador para os aeroportos regionais, devido à recuperação judicial da companhia aérea, o que resultou em cortes de frota, suspensão de voos e cancelamento de operações comerciais em mais de 16 cidades brasileiras.

“Mesmo com dificuldades, Araxá conseguiu se manter na malha aérea comercial, enquanto cidades maiores e turísticas ficaram sem nenhum voo. Isso mostra a importância estratégica do aeroporto”, afirmou.

Segundo o administrador, a expectativa é que, com a saída da Azul da recuperação judicial prevista para início de 2026, seja possível retomar conversas sobre ampliação de frequências e novas estratégias para fortalecer ainda mais a conectividade aérea de Araxá.

Fonte: Portal Imbiara

Brasil tem 3 cidades entre as 10 com maior frota de helicópteros do planeta

O Brasil surpreende ao figurar com três cidades entre as maiores frotas de helicópteros do planeta. O país supera grandes centros mundiais e amplia sua relevância na mobilidade aérea.

Segundo dados recentes da ANAC, São Paulo ocupa a liderança absoluta no ranking internacional. A metrópole concentra a maior frota e mantém operações intensas ao longo do ano. O número elevado de aeronaves reforça a importância da cidade no cenário executivo.

Créditos: Photo by Renan on Unsplash

O Rio de Janeiro aparece em posição de destaque ao ocupar o quarto lugar mundial. A capital fluminense se beneficia de atividades corporativas e demandas ligadas à indústria energética. Essa combinação mantém o fluxo constante de voos e amplia a presença nacional no ranking.

elo Horizonte completa o trio brasileiro ao figurar na sexta posição global. A capital mineira expandiu sua estrutura e viu o uso de helicópteros crescer na última década. Essa evolução consolidou a cidade entre os principais polos de transporte aéreo executivo.

Estrutura e operação diferenciada

São Paulo não é referência apenas por acumular grande volume de aeronaves. A cidade possui um sistema exclusivo de controle de tráfego aéreo voltado apenas para helicópteros. Esse modelo garante mais segurança e fluidez em uma das redes mais movimentadas do mundo.

A malha paulistana conecta helipontos instalados em áreas empresariais, aeroportos e regiões centrais. A estrutura permite deslocamentos rápidos e reduz impactos gerados pelo trânsito intenso. O formato também se tornou exemplo para outros polos globais da aviação.

Crescimento constante do setor

Dados de consultorias internacionais apontam forte expansão da aviação executiva no Brasil. O mercado nacional deve mais que dobrar de valor nos próximos anos e atingir patamar bilionário. O número de aeronaves deve aumentar e consolidar ainda mais o país nesse segmento.

Com projeções otimistas, o Brasil se firma como principal polo latino-americano. A combinação de demanda elevada e infraestrutura especializada sustenta esse avanço. O destaque no ranking internacional reforça a posição estratégica do país na aviação mundial.

Fonte: Acorda Cidade

Garmin Autoland faz história ao pousar King Air sozinho após piloto ficar incapacitado nos EUA

O sistema Emergency Autoland da Garmin entrou definitivamente para a história da aviação ao realizar, pela primeira vez em uma situação real de emergência, o pouso totalmente automático de uma aeronave turboélice executiva. O episódio ocorreu em 20 de dezembro de 2025, no estado do Colorado, quando um Beechcraft King Air 200 conseguiu pousar em segurança após o piloto ficar incapacitado em voo, sem que nenhum dos ocupantes sofresse ferimentos.

A aeronave, de matrícula N479BR, havia decolado do Aeroporto de Aspen-Pitkin County com destino ao Rocky Mountain Metropolitan Airport, em Broomfield, na região metropolitana de Denver. Cerca de 20 minutos após a decolagem, o sistema Emergency Autoland foi acionado e assumiu completamente o controle do avião.

Dados de rastreamento mostram que o King Air partiu de Aspen às 13h43 e pousou às 14h19, horário local. Pouco antes da aproximação final, o transponder passou a emitir o código geral de emergência 7700, alertando o controle de tráfego aéreo sobre a situação crítica a bordo.

Um dos aspectos mais impressionantes do ocorrido foi a interação do sistema com os controladores de voo. Gravações das frequências da torre captaram transmissões de voz automatizadas informando que o piloto estava incapacitado e que a aeronave realizaria um pouso automático de emergência. Diante disso, os controladores rapidamente isolaram o espaço aéreo na área, removeram outras aeronaves da aproximação e interromperam temporariamente as operações na pista 30 para garantir condições seguras para o pouso.

O King Air tocou a pista normalmente, desacelerou até a parada completa e desligou os motores de forma automática, exatamente conforme previsto no projeto do sistema. Equipes de emergência foram acionadas imediatamente após a aeronave parar.

A Garmin confirmou oficialmente o evento no dia seguinte, destacando que se trata do primeiro uso operacional real do Emergency Autoland fora de testes e demonstrações controladas. A empresa não divulgou detalhes sobre o estado de saúde do piloto nem o número de pessoas a bordo, mas confirmou que todos saíram ilesos.

Desenvolvido para cenários extremos, o Emergency Autoland foi projetado para assumir o comando da aeronave quando detecta sinais de incapacitação do piloto ou quando um passageiro aciona manualmente o sistema. Uma vez ativado, ele analisa automaticamente diversos fatores, como comprimento e condições das pistas disponíveis, relevo, obstáculos, meteorologia e combustível remanescente. Com base nesses dados, o sistema seleciona o aeroporto mais adequado, traça a rota, comunica-se com o controle de tráfego aéreo por meio de mensagens automáticas e executa toda a sequência de aproximação, pouso, frenagem e desligamento da aeronave.

Inicialmente introduzida em aeronaves leves a pistão e jatos muito leves, como os modelos da Cirrus, a tecnologia da Garmin passou a ser expandida gradualmente para aeronaves maiores. Em agosto de 2025, a FAA certificou os sistemas Autoland e Autothrottle para versões do Beechcraft King Air 300 e 350 equipadas com o cockpit G1000 NXi.

Já a instalação do Autoland em um King Air 200, modelo envolvido no incidente no Colorado, havia sido realizada pela primeira vez no início de 2024, abrindo caminho para sua aplicação prática em aeronaves turboélice amplamente utilizadas na aviação executiva e regional.

O caso reacende o debate sobre o papel da automação avançada na segurança de voo, especialmente em aeronaves frequentemente operadas por um único piloto e em ambientes exigentes, como regiões montanhosas e condições meteorológicas adversas. Embora o Emergency Autoland não tenha sido concebido para uso rotineiro nem para substituir pilotos, o episódio no Colorado demonstrou de forma concreta o potencial dessa tecnologia como última linha de defesa em situações críticas.

Até o momento, não há informações sobre investigações oficiais ou conclusões adicionais sobre o incidente. Ainda assim, os fatos confirmados já colocam esse pouso automático como um marco na história da aviação moderna: diante de uma emergência real, o sistema foi ativado, tomou decisões complexas em tempo real e levou a aeronave ao solo com segurança, reforçando o impacto da automação como ferramenta capaz de salvar vidas.

Fonte: Cavok