A Bomba Guiada Lizard 500 e a Operação Thor realizada no Brasil

Força Aérea Brasileira não opera pod Litening V, o que foi usado em Natal pertence a Suécia


A Força Aérea Brasileira e a SAAB concluíram recentemente a Operação Thor, uma campanha de disparo de armamento destinada a certificar o caça F.39E Gripen no lançamento de armas ar-solo guiadas e não guiadas contra alvos que exigiram diferentes perfis e envelopes de voo. A matéria-prima fundamental para essa missão, a bomba MK 84 (2000 libras) e o kit de guiamento Lizard 500 fornecido e suportado no Brasil pela AEL Sistemas, comprovaram mais uma vez a sua confiabilidade, atingindo seus alvos designados com a precisão requerida, e ao mesmo tempo diminuindo a exposição da aeronave lançadora às defesas antiaéreas inimigas.

O Elbit Systems Lizard é uma família de kits de orientação modulares avançados projetados para converter bombas Mk 82, Mk 83 e Mk 84 em munições guiadas de precisão (PGMs) usando tecnologias de laser, GPS/INS e infravermelho. Desenvolvido em Israel, esse kit de guiamento tornou-se um item essencial da Força Aérea Israelense (IAF) e um produto de sucesso no mercado internacional, oferecendo alta precisão com danos colaterais reduzidos a preços competitivos. 

DNA israelense

Projetado pela Elbit Systems, de Israel, o Lizard surgiu como uma opção aos sistemas Laser Guided Bomb do tipo Paveway II, de alto custo de aquisição, introduzindo um sistema com as mesmas especificações MIL Standard, conectividade e facilidade de integração arma/aeronave, e oferecido no mercado com diferentes tipos de seekers/capacidades, por um preço extremamente competitivo, especialmente quando usado em conjunto com as bombas MK.84 de 2000 libras. Esses kits de guiamento utilizam códigos de detecção/seguimento de emissores laser integrados a uma variedade enorme de aeronaves ocidentais.  As Lizard 3 e 4 podem usar laser e INS/GPS com seekers integrados a um computador de bordo que aciona atuadores a bateria capazes de mover as quatro aletas canard no nariz.  Uma conexão simples liga o nariz à cauda da arma, equipada com quatro aletas retráteis que se abrem no lançamento e fornecem a sustentação e estabilidade durante o voo.

Principais desenvolvimentos históricos

O Lizard foi desenvolvido e projetado para competir com padrões internacionais como a série Paveway, oferecendo uma solução de baixo custo e fácil de implementar.  Em 2007, a Israeli Air Force (IAF) selecionou os kits de bombas guiadas a laser da série Lizard para equipar seus esquadrões de caça de linha de frente, especificamente os Boeing F-15I e Lockheed Martin F-16.  Essa decisão foi considerada um grande avanço para a Elbit Systems, principal fornecedora das Forças Armadas de Israel.  O sistema foi testado em combate em operações de ataques ar-solo contra uma variedade de alvos em diversos conflitos, e a Elbit continua a aprimorar o sistema, produzindo atualmente as versões Lizard-3 (laser) e Lizard-4 (GPS/INS).

O Lizard-3 tem um erro circular provável (CEP) de um metro, sendo compatível tanto com bombas de uso geral ocidentais MK quanto orientais do tipo FAB e similares. O kit de guiamento utiliza sensores avançados para rastrear pontos de laser mesmo em ambientes hostis, saturados de emissões, fumaça e decoys. Suporta navegação proporcional, modelagem de trajetória e pode atingir alvos em movimento com velocidade de até 150 km/h. 

Os kits Lizard são eficazes contra bunkers, aeródromos e usinas de energia (os alvos no primeiro dia da guerra), e podem ser lançados à luz do dia, na escuridão da noite ou em quaisquer condições climáticas. Essas armas possuem logística descomplicada, as cabeças de guiamento são projetadas para instalação e setup via notebook tático realizada de forma rápida, com tempo de inatividade em solo da aeronave reduzido ao mínimo necessário. O sistema Lizard foi exportado para diversos clientes internacionais, incluindo países membros da OTAN, e também faz parte do arsenal da Suécia.

O Pod Designador Litening 5

A Administração Sueca de Material de Defesa (FMV) selecionou especificamente o Litening 5 para o Gripen E, e ele também está sendo integrado aos modelos Gripen C/D mais antigos para aprimorar suas capacidades. Esse pod entrega imagens coloridas de alta resolução, sensores infravermelhos de ondas médias e curtas (FLIR) e um radar de abertura sintética (SAR) que permite a detecção, identificação e rastreamento de alvos em quaisquer condições climáticas, de dia ou de noite. A tecnologia embarcada do Litening 5 permite que o Gripen E, sueco ou brasileiro, utilize munições avançadas de precisão guiadas (a laser, GPS e infravermelho). 

Para se ter uma medida da importância estratégica desse equipamento, em 2024, a Suécia fez uma encomenda significativa (aproximadamente 390 milhões de coroas suecas) de unidades adicionais do Litening 5, incluindo suporte para manutenção no país, com entregas programadas para continuar até o final de 2026. Além do Gripen, o Litening 5 também é usado em outras plataformas, incluindo o Eurofighter Typhoon. O equipamento Litening 5, que foi usado no Brasil, é de procedência sueca e retornou com as equipes da SAAB para Linkoping após cumprir com sucesso uma extensa campanha de ensaios e gerar dados preciosos para o desenvolvimento da aeronave. Os kits de guiamento Lizard 500 também fazem parte do inventário sueco. 

De fato, o Brasil participou da Operação Thor com o Gripen E FAB 4100 (aeronave de desenvolvimento), pilotos de ensaio altamente capacitados e corpos inertes (cor azul) de bombas MK84 de arsenal. A Força Aérea Brasileira já é operadora dos pods Rafael Litening III, mais antigos, e precisa buscar um upgrade de capacidades para o padrão Litening 5 usado pelos suecos em seus caças Gripen E e frota C/D remanescente.  Para que os caças Gripen E brasileiros possam apresentar a mesma performance mostrada na Operação Thor pelo FAB 4100 de desenvolvimento, é vital e urgente a compra de pods Rafael Defence Litening 5 e novos kits Lizard 3 e 4 (laser e INS/GPS).

Fonte: Fab

O mistério do último voo de Amelia

Desaparecimento da piloto americana em 1937 segue mobilizando pesquisadores e novas expedições prometem respostas sobre um dos casos mais intrigantes da aviação mundial


O desaparecimento da piloto Amelia Earhart durante voo sobre o Pacífico é um dos casos mais intrigantes da história da aviação | Fotos: reprodução

22 de fevereiro de 2026 — O desaparecimento da piloto americana Amelia Earhart, em julho de 1937, durante uma tentativa histórica de dar a volta ao mundo de avião, permanece como um dos maiores enigmas da aviação. Décadas após o último contato por rádio, o caso segue despertando interesse científico e midiático, impulsionado por novas tecnologias e investigações recentes.

Nascida em Atchison, em 24 de julho de 1897, Amelia teve uma infância marcada por constantes mudanças de cidade, o que contribuiu para o espírito aventureiro que definiria sua trajetória. Ainda jovem, passou a se interessar pela aviação, paixão que ganharia forma definitiva nos anos seguintes.

Nos ares desde jovem

Durante a Primeira Guerra Mundial, Amelia atuou como voluntária em Toronto, no Canadá, cuidando de pilotos feridos. A convivência com aviadores reforçou sua decisão de seguir carreira nos céus. Aos 20 anos, iniciou o treinamento de voo e, em 1923, obteve sua licença de piloto, tornando-se uma das mulheres pioneiras na aviação civil.

A consagração veio em 1928, quando participou da travessia do Atlântico como copilota. Quatro anos depois, entrou definitivamente para a história ao se tornar a primeira mulher a cruzar o oceano sozinha como piloto principal, consolidando-se como referência mundial.

Inspiração para mulheres aviadoras

Além dos recordes, Amelia escreveu livros sobre suas experiências e foi uma das fundadoras da associação The Ninety-Nines, voltada ao apoio e incentivo de mulheres pilotos. Sua atuação foi decisiva para ampliar a presença feminina na aviação comercial.

O dia trágico do desaparecimento

Em 2 de julho de 1937, Amelia partiu de Lae rumo à Ilha Howland, acompanhada do navegador Fred Noonan. A etapa seria decisiva para concluir a volta ao mundo, mas o avião jamais chegou ao destino.

Pouco antes do desaparecimento, Amelia manteve contato por rádio com o navio da guarda costeira americana Itasca, relatando dificuldades de localização e combustível reduzido. A última transmissão foi registrada às 8h43, sem coordenadas precisas.

Após o sumiço, o então presidente Franklin D. Roosevelt autorizou uma das maiores operações de busca da época, envolvendo dezenas de aviões e navios. Apesar do investimento milionário, nenhum vestígio conclusivo foi encontrado.

Nova pista reacende esperanças

Em 2025, a empresa Nauticos anunciou avanços significativos na investigação. Utilizando equipamentos de rádio idênticos aos usados em 1937, pesquisadores afirmam ter reduzido consideravelmente a área provável da queda da aeronave.

Segundo os cientistas, a análise das comunicações indica com maior precisão onde Amelia e Noonan estariam no momento final do voo. Uma nova expedição está prevista para aprofundar as buscas e, possivelmente, encerrar um mistério que atravessa gerações.

Fonte: Portal Terra Da Luz