Iniciados os testes para reduzir separação entre aeronaves no Atlântico com previsão de operação completa em novembro

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Juliano Gianotto

Juliano Gianotto

3 de novembro de 2026

Imagem: DECEA

O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) iniciou, nesta quinta-feira (29), o Teste de Validação Técnico-Operacional (TVTOp) do conceito de Comunicação e Vigilância Baseadas em Desempenho (PBCS) na Região de Informação de Voo Atlântico (FIR-AO).

A iniciativa representa mais uma etapa na modernização do controle de tráfego aéreo brasileiro e permitirá avaliar, em condições reais e de forma supervisionada, a aplicação de separações menores entre aeronaves que cruzam o Atlântico na região sob responsabilidade do Brasil.

Os testes são realizados no Centro de Controle de Área Atlântico (ACC Atlântico), localizado no Terceiro Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (CINDACTA III), em Recife (PE). A avaliação seguirá até 25 de novembro. Caso todos os requisitos estabelecidos sejam atendidos, a primeira fase de implementação do PBCS terá início em 26 de novembro, com funcionamento ininterrupto.

O conceito PBCS estabelece requisitos de desempenho para os sistemas de comunicação aeronáutica e vigilância aérea. Com isso, permite reduzir as distâncias mínimas de separação entre aeronaves habilitadas, sem comprometer os níveis de segurança operacional exigidos.

Nesta primeira etapa, poderão ser adotados mínimos de cinco minutos de separação longitudinal e 50 milhas náuticas de separação lateral, de acordo com as capacidades das aeronaves e os requisitos específicos de cada operação. A medida amplia as possibilidades de gerenciamento do tráfego aéreo sobre o oceano, onde as limitações dos meios convencionais de comunicação e vigilância exigem, historicamente, maiores distâncias entre as aeronaves.

Na prática, os pilotos terão mais oportunidades de solicitar mudanças de rota e altitude, seja para evitar condições meteorológicas adversas, aproveitar ventos favoráveis ou alcançar níveis de voo mais eficientes. Para as companhias aéreas, os ganhos potenciais incluem menor consumo de combustível, redução dos custos operacionais e das emissões de poluentes.

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“Estar recebendo a implementação no CINDACTA III é, para todos nós, motivo de muito orgulho. Mostra também a capacidade dos nossos técnicos e controladores e o investimento do DECEA no Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro, nas áreas de tecnologia e controle aéreo”, destacou o comandante do CINDACTA III, Coronel Aviador Robson Moreira.

A validação será realizada de forma progressiva, com ampliação dos períodos de aplicação do PBCS e monitoramento contínuo das condições técnicas e operacionais.

Na primeira etapa, de 29 de outubro a 11 de novembro, as separações reduzidas serão aplicadas das 13h às 19h UTC (10h às 16h, horário de Brasília). A escolha de um intervalo de menor movimento permitirá que os controladores se adaptem gradualmente aos novos procedimentos, enquanto os sistemas serão avaliados em um cenário de menor complexidade operacional.

Na segunda etapa, prevista para o período de 12 a 25 de novembro, a aplicação ocorrerá das 23h às 6h UTC (20h às 3h, horário de Brasília). O objetivo é avaliar o conceito durante o período noturno, quando o ACC Atlântico registra maior demanda de tráfego, submetendo os procedimentos a condições operacionais mais complexas.

Ao longo dos testes, equipes especializadas acompanharão o desempenho dos sistemas de comunicação digital (CPDLC) e de vigilância dependente automática por contrato (ADS-C), além do reconhecimento das capacidades das aeronaves, das ferramentas automatizadas de apoio ao controle e dos procedimentos previstos para situações de eventual falha.

Segundo o gerente do projeto PBCS no DECEA, Major Especialista em Comunicações Marcelo Mello Fagundes, a validação permitirá verificar não apenas o funcionamento das tecnologias, mas também sua integração aos procedimentos operacionais e à atuação dos profissionais envolvidos.

“Não se avança simplesmente porque uma etapa terminou; avança-se quando os resultados demonstram condições seguras para isso”, ressaltou o oficial.

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Os resultados serão monitorados e analisados diariamente por meio de indicadores, permitindo identificar eventuais necessidades de ajustes. Uma avaliação intermediária está prevista para os dias 10 e 11 de novembro. Já a análise final, programada para 25 de novembro, servirá de base para a decisão sobre o início da operação sem restrições de horário, previsto para o dia seguinte.

Caso sejam confirmadas as condições necessárias de segurança e desempenho, o PBCS entrará em sua primeira fase de operação contínua em 26 de novembro, abrangendo toda a FIR Atlântico para as aeronaves elegíveis.

O projeto integra o Programa SIRIUS Brasil e segue as diretrizes da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) para a modernização do gerenciamento do tráfego aéreo.

Uma segunda fase de implementação está prevista para abril de 2027, com a adoção de separações ainda menores entre aeronaves. A medida deverá ampliar as possibilidades de otimização das operações aéreas sobre o Atlântico Sul.

Fonte: Aeroin