Acidente reacende debate sobre regularização de táxi-aéreo no Brasil

Acidente com dois helicópteros no Rio reacende debate sobre regularização do Táxi Aéreo Simples e riscos de operações sem certificação da ANAC

O acidente envolvendo dois helicópteros no Rio de Janeiro reacende o debate sobre a regulação das operações com aeronaves no Brasil. Especialistas alertam para riscos de uso de aeronaves particulares em atividades que podem extrapolar a legislação da ANAC e para a falta de clareza sobre limites entre compartilhamento de aeronaves e transporte aéreo remunerado sem certificação.

A discussão ganha peso em um cenário de transformação do setor. O Brasil tem a segunda maior frota de aviação geral do mundo, atendendo setores como agronegócio, mineração, saúde e aviação executiva. Técnicos defendem regulamento moderno que garanta segurança jurídica aos proprietários.

O Táxi Aéreo Simples, criado pela ANAC no início deste ano, simplifica a certificação para certos operadores, reduzindo burocracia sem abrir mão da segurança. Profissionais do setor destacam que muitos proprietários ainda desconhecem essa via legal para estruturar operações antes informais.

Quem atua no segmento ressalta que a certificação adequada transforma aeronaves em ativos operacionais com maior credibilidade perante clientes, seguradoras e instituições financeiras. A governança e o compliance passam a sendo elementos centrais para operações seguras e legais.

A presidente da ABRAPAVAA aponta a necessidade de fortalecer a prevenção e a responsabilização em casos de irregularidades. A ideia é ampliar a assistência a passageiros, tripulantes e famílias afetadas, além de ampliar a fiscalização de atividades como cessão de horas de voo e uso por terceiros.

Especialistas destacam que a fiscalização crescida pode levar proprietários a revisar modelos de operação. Práticas como compartilhamento de custos ou permutas exigem avaliação técnica para enquadramento regulatório adequado, evitando sanções administrativas e criminais.

Riscos de operações irregulares incluem multas que podem chegar a R$ 200 mil por operação, interdições de aeronaves e suspensão de licenças. Em casos mais graves, pode haver apreensão da aeronave e perdas de cobertura de seguro, conforme apólice vigente.

Para os especialistas, muitos proprietários atuam de boa-fé, mas precisam entender quando determinadas atividades extrapolam a operação privada. A orientação técnica adequada, principalmente com o Táxi Aéreo Simples, é vista como fator decisivo para reduzir riscos.

O PL 5031/2024 tramita no Congresso e propõe ampliar assistência a vítimas de acidentes e fortalecer a responsabilização de operadores que pratiquem transporte clandestino. A emenda sugere integração entre ANAC, forças de segurança e outros órgãos para facilitar a fiscalização.

Fonte: Portal Tela

Museu Aeroespacial Paulista terá 100 mil metros quadrados

O Comando da Aeronáutica realiza hoje a solenidade de inauguração do Hangar 01 São Paulo, na prática, tratando-se da ativação do Museu Aeroespacial Paulista (MAPA). Instalado no Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA-SP), no Campo de Marte, o espaço nasce com a proposta de reunir história, tecnologia, cultura e inovação em um ambiente pensado para aproximar diferentes gerações do universo da aviação. Fruto da iniciativa da FAB, com apoio do Museu Asas de um Sonho, o MAPA reunirá um dos mais relevantes acervos aeronáuticos do País.

O projeto contará com a exposição de mais de 80 aeronaves, além de espaços dedicados à educação, à cultura, à tecnologia e à difusão do conhecimento. Além das aeronaves históricas, o museu contará com espaços dedicados à educação, à cultura, à tecnologia e à difusão do conhecimento, consolidando-se como um ambiente de aprendizado e inspiração.

“A Força Aérea Brasileira entende que a manutenção, a memória da história e da cultura aeronáutica é uma ação estratégica para a identidade institucional e houve a oportunidade de criá-lo aqui, no lendário Campo de Marte, onde começou a aviação em São Paulo, a maior cidade brasileira”, explicou o Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar Vincent Dang.

De acordo com o Diretor do MAPA, Major-Brigadeiro do Ar Rodrigo Fernandes Santos, o projeto é um sonho antigo do Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro do Ar, Marcelo Kanitz Damasceno, e foi dividido em fases. A primeira delas contempla o Hangar Zero Uno e parte do Hangar 05 – o que corresponde a apenas 2% do projeto, segundo o Oficial-General.

“O MAPA nasce como um dos mais importantes museus aeroespaciais porque já conta com um acervo de aproximadamente 100 aeronaves, consolidando o que já tínhamos com o acervo cedido pelo Museu Asas de Um Sonho. Além disso, o MAPA também se destaca em termos de área pelos seus 100 mil metros quadrados. E é importante ressaltar que ele não é um museu nem da Força Aérea e nem apenas da Aeronáutica brasileira: é um museu aeroespacial. Temos aeronaves de outros países, civis, históricas, que não fazem parte apenas da história da Força Aérea Brasileira, afirmou o Diretor do MAPA, Major-Brigadeiro do Ar Rodrigo Fernandes Santos.

Confira o que haverá em cada espaço do MAPA:

Hangar Zero Uno
O circuito expositivo do MAPA tem início no Hangar Zero Uno, espaço ambientado com itens da aviação, como miniaturas de aeronaves, capacetes, hélices e assentos ejetáveis, além de uma exposição permanente com fotografias do Suboficial Johnson Barros. Na sequência, o visitante percorre o Salão Azul, com homenagens a personalidades da aviação, ex-Comandantes da Aeronáutica e uniformes históricos, e o Salão “De Bagatelle ao Espaço”, que reúne uma linha do tempo da aviação, homenagens aos pioneiros do Correio Aéreo Nacional (CAN) e a exposição “Aviação Com Elas”, dedicada às histórias de mulheres que marcaram a aviação brasileira.

Hangar 02
O segundo hangar servirá de apoio e área de convivência, onde será estruturado um restaurante, banheiros, bebedouros e orientações sobre a disposição das instalações para que o visitante aproveite ao máximo o percurso expositivo.

Hangar 03
Este hangar é especial por vários motivos – entre eles, o espaço dedicado ao acolhimento de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Aqui, os visitantes também poderão adquirir, futuramente, produtos da loja institucional do MAPA.

Hangar 04
O hangar promete chamar a atenção dos aficionados pela aviação. É nele que será instalada a oficina de restauração e manutenção de aeronaves, totalmente visível ao público. Ou seja, o visitante poderá ver, de perto, o trabalho dos bastidores da aviação, favorecendo o entendimento sobre os processos de preservação do patrimônio aeronáutico. Além disso, também serão disponibilizadas exposições temporárias.

Hangar 05
Esse é um dos grandes destaques do MAPA: a construção foi escolhida para estampar, em seu exterior, uma verdadeira obra de arte do renomado artista brasileiro Gabriel Menezes – o Mena. A típica pintura nas cores do arco-íris – característica mais marcante em suas obras – traz modelos antigos e modernos da aviação ao lado de Santos Dumont – o Pai da Aviação. Além disso, o Hangar 05 foi concebido para abrigar uma série de aviões expostos em uma sequência que represente, de forma didática, a evolução da aviação.

Hangar 06
Aqui, o visitante poderá conhecer as atividades do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e do Sistema de Busca e Salvamento (SAR).

Hangar 07
Assim como o Hangar 06, o 07 é dedicado às atividades de defesa aérea da Força Aérea Brasileira. Estão previstos conteúdos sobre a rotina das operações de alerta e interceptação, além de recursos sonoros e luminosos para propiciar ao visitante simulações de acionamentos de defesa aérea. Ou seja, é mais um ambiente imersivo para os interessados pelo tema.

Hangar 08
Diferentemente dos hangares anteriores, este é dedicado à contemplação da área externa do Museu Aeroespacial Paulista. Projetado como um mirante, o Hangar 08 está localizado em posição estratégica para viabilizar a observação do Aeroporto Campo de Marte e, ainda, das instalações do Parque de Material Aeronáutico de São Paulo (PAMA-SP). De forma complementar, também está previsto um espaço para piquenique e descanso a quem passeia por ali.

Hangar 09
Um hangar que faz jus ao nome do MAPA. Aqui, o visitante poderá conferir as atividades de pesquisa, tecnologia e exploração espacial em um contexto histórico e atual. O que for relacionado a foguetes, veículos lançadores, satélites etc, estará concentrado nesta área. Isso significa que será possível conhecer algumas das ações do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) e da Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil S/A (ALADA).

Para quem quiser saber um pouco da participação brasileira em missões espaciais, como a do astronauta brasileiro e Tenente-Coronel da FAB, Marcos Pontes, esse será o lugar.

Hangar 10
Um espaço educativo, lúdico e acolhedor. Assim se traduz o Hangar 10, voltado para o desenvolvimento de atividades educativas e imersivas, incluindo simulações de exercícios e operações aéreas por meio de recursos audiovisuais. É destinado, principalmente, a escolas, já que contará com o desenvolvimento de atividades pedagógicas, contação de histórias e oficinas, por exemplo.

Área 04 – Safari
O nome faz referência a uma expedição, só que, no lugar de animais, o visitante encontrará aeronaves expostas a céu aberto. Nessa área também estão previstos pontos de piquenique e descanso.

Fonte: Revista Asas