Vítimas fatais de acidentes com aviões de negócios se mantêm estável

Levantamento aponta estabilidade no número global de vítimas fatais em acidentes com aeronaves a jato de negócios no primeiro semestre de 2026


O número de mortes decorrentes de acidentes com aeronaves da aviação de negócios equipadas com motores a turbina permaneceu em 81 no primeiro semestre de 2026, repetindo o resultado registrado no mesmo período do ano anterior.

Apesar da estabilidade no total de vítimas fatais, a distribuição entre os diferentes segmentos da frota mudou, com redução dos acidentes fatais envolvendo jatos de negócios registrados fora dos Estados Unidos e aumento das fatalidades em turboélices do segmento registrados no país, segundo levantamento realizado pelo site AIN Online.

O levantamento indica que os acidentes com jatos de negócios registrados nos Estados Unidos resultaram em nove mortes, distribuídas em três acidentes fatais entre janeiro e junho. No mesmo período, os jatos registrados fora dos Estados Unidos estiveram envolvidos em dois acidentes fatais, que deixaram sete vítimas.

Entre os turboélices da aviação de negócios registrados nos Estados Unidos, cinco acidentes provocaram 26 mortes, acima das dezoito registradas em cinco ocorrências no primeiro semestre de 2025. Já os turboélices registrados fora dos Estados Unidos somaram cinco acidentes fatais e 39 vítimas, ligeiramente abaixo das quarenta mortes registradas em seis acidentes no mesmo período do ano anterior.

Acidente com Citation Latitude

Um dos acidentes envolvendo jatos executivos registrados nos Estados Unidos ocorreu em 16 de junho, quando um Cessna Citation Latitude operado pela NetJets e pertencente a um programa de propriedade fracionada realizou um pouso de emergência em uma rodovia nas proximidades do aeroporto internacional de Laredo, no Texas, antes de ser consumido por um incêndio. Um passageiro morreu.

Segundo a AIN, trata-se da primeira fatalidade registrada em uma operação de propriedade fracionada conduzida sob as regras da Parte 91K da regulamentação norte-americana.

Challenger 650

Outro acidente ocorreu em 25 de janeiro, envolvendo um Bombardier Challenger 650 durante a decolagem em Bangor, no estado do Maine. Seis pessoas morreram: dois pilotos e quatro passageiros.

O relatório preliminar do National Transportation Safety Board (NTSB) aponta que a investigação considera a possibilidade de a aeronave ter iniciado a aceleração para decolagem após exceder o tempo máximo de proteção proporcionado pelo procedimento de degelo (deicing holdover time). O voo era uma operação executiva conduzida sob a Parte 91, em condições meteorológicas por instrumentos (IMC), com neve e temperaturas de -16°C.

Acidente na República Dominicana

Em 7 de junho, um Gulfstream G200 registrado nos Estados Unidos saiu da pista durante uma tentativa de pouso de emergência no aeroporto internacional de La Romana, na República Dominicana. Os dois pilotos morreram.

A tripulação havia comunicado uma emergência em voo e a intenção de retornar ao aeroporto. A aeronave realizava um voo de traslado (ferry flight) com destino a Austin, no Texas. As autoridades dominicanas investigam as causas do acidente.

Acidentes fora dos EUA

Entre os jatos de negócios registrados fora dos Estados Unidos, um Learjet 45XR registrado na Índia caiu em 28 de janeiro durante uma segunda tentativa de aproximação ao aeroporto de Baramati, no estado de Maharashtra. As cinco pessoas a bordo morreram. A aeronave realizava um voo charter procedente de Mumbai.

Outro acidente ocorreu em 13 de abril, envolvendo um Cessna Citation II registrado na Bolívia e operado de forma privada. A aeronave perdeu contato com o controle de tráfego aéreo cerca de 30 minutos após decolar de La Paz. Dados de rastreamento indicam que iniciou uma rápida razão de descida a partir do nível de voo FL390 antes da perda do contato radar. Os dois pilotos morreram.

Turboélices

Os turboélices responderam pela maior parcela das mortes registradas no semestre. Nos Estados Unidos, um único acidente representou quase metade das vítimas do segmento. Em 14 de junho, um Pacific Aerospace 750XL caiu, provocando a morte do piloto e de onze paraquedistas, totalizando doze vítimas fatais.

Fora dos Estados Unidos, duas ocorrências concentraram grande parte das fatalidades. Em 27 de abril, um Cessna Caravan empregado em um voo charter caiu no Sudão do Sul, causando a morte das quatorze pessoas a bordo. Em 28 de junho, um Pilatus Turbo Porter caiu na França, matando o piloto e dez paraquedistas.

Distribuição

No primeiro semestre de 2026, os acidentes fatais com aeronaves da aviação de negócios foram distribuidos da seguinte forma:

  • Jatos registrados nos Estados Unidos: três acidentes e nove mortes;
  • Jatos registrados fora dos Estados Unidos: dois acidentes e sete mortes;
  • Turboélices registrados nos Estados Unidos: cinco acidentes e 26 mortes;
  • Turboélices registrados fora dos Estados Unidos: cinco acidentes e 39 mortes.

Fonte: Aero Magazine