Desafios da aviação regional expõem entraves para chegada à COP 30, em Belém

Anac informou que as companhias aéreas aumentaram em 30% a oferta de voos para Belém, onde acontece a COP 30. Mesmo assim, passageiros se defrontam com alta de preços e mais conexões para chegar ao destino.


Chegar à 30ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 30), em Belém (PA), pode exigir longas horas de viagem e algumas escalas. Isso porque nem sempre há voos diretos para a capital paraense — nem na ida, nem na volta.

Os obstáculos com infraestrutura, conectividade e oferta de voos evidenciam os gargalos do setor, especialmente em regiões mais afastadas dos grandes centros, onde manter a operação aérea exige planejamento e esforço conjunto entre governo, companhias e agências reguladoras.

As dificuldades enfrentadas pelos passageiros refletem problemas da aviação regional no Brasil, como margens de lucro reduzidas, custos maiores com combustíveis e manutenção das aeronaves, além de altos índices de judicialização.

Por conta da alta demanda e da oferta limitada de voos, o internacionalista Natan Schumann, por exemplo, precisará encarar uma verdadeira maratona aérea para ir e voltar do evento até seu estado natal, o Rio Grande do Sul (veja o trajeto no mapa abaixo).

“Eu vou sair de Porto Alegre no dia 7, às 7h, viajo até Congonhas e, de lá, sigo para Belém. Chego por volta das 13h40. Até que a ida está tranquila”, explica.

Mas a volta será bem diferente:

“Meu voo começa às 1h50 de sábado. Vou sair de Belém até o Galeão, no Rio de Janeiro, depois para Curitiba e, finalmente, para Porto Alegre, chegando quase às 13h. É uma jornada de pelo menos 12 horas, contando que preciso chegar mais cedo no aeroporto”, relata.

Para Eloize Inês, do Mato Grosso do Sul, o deslocamento total também chegará há quase 12 horas, entre conexões e esperas. 

O trajeto começa com uma viagem de seis horas de ônibus entre Corumbá e Campo Grande, de onde ela embarca no primeiro voo. Depois, fará conexões em Brasília e Macapá até finalmente chegar a Belém.

  • Corumbá (MS) → Campo Grande (MS): saída em 10/11 16h, chegada às 22h (6h de ônibus);
  • Campo Grande (MS) → Brasília (DF): saída em 11/11 às 16h50, chegada às 19h30 (1h40 de voo);
  • Brasília (DF) → Macapá (AP): saída em 11/11 às 23h45, chegada em 12/11 às 2h25 (2h40 de voo);
  • Macapá (AP) → Belém (PA): saída em 12/11 às 2h55, chegada às 3h55 (1h de voo).

Segundo o diretor-presidente da Anac, Tiago Chagas Faierstein, a demora na compra do bilhete é um fator que pode ter dificultado a obtenção de melhores voos.

“O problema é que, como a velha lei da oferta e da procura fala, as pessoas que deixaram para comprar de última hora talvez não aproveitaram dos melhores trechos e agora tem que sofrer um pouco mais com as conexões e com os preços mais altos também”, explicou o diretor da Anac.

Desafios

Segundo especialistas ouvidos pelo g1, o combustível é um dos principais entraves do setor. O desafio é duplo: além da logística complexa para transportar o insumo até áreas mais remotas, é necessário garantir que ele esteja disponível a um preço competitivo.

“Quando você tem um avião pequeno, o custo do assento fica muito alto, exatamente porque nós temos um custo de combustível muito alto”, explica Ronei Glanzmann, CEO da MoveInfra. 

Glanzmann ressaltou que, no caso de aviões de maior porte, o combustível pode representar mais de 50% do custo total de um voo. Já em aeronaves menores, o percentual pode chegar a 70%.

O especialista defende soluções mais economicamente viáveis para a aviação regional, como o uso de aeronaves híbridas — capazes de transportar tanto passageiros quanto cargas. “A carga ajuda a remunerar o voo”, apontou.

Outra opção, segundo ele, seria a ampliação dos pontos de distribuição, já que o querosene de aviação não está disponível em todas as refinarias, o que limita o acesso ao insumo e encarece sua distribuição, especialmente em regiões mais afastadas.

“A disponibilidade de entrega desse produto hoje, no Brasil, que é o querosene de aviação, não é entregue em todas as refinarias. Hoje esse mercado é um mercado muito concentrado”, acrescentou. 

Iniciativas federais 

De acordo com a secretária nacional substituta de Aviação Civil, Clarissa Barros, um dos principais avanços foi tornar a aviação regional um tema de relevância para os três poderes da República: Executivo, Legislativo e Judiciário.

Do ponto de vista do Ministério de Portos e Aeroportos, Clarissa destacou o programa AmpliAr — uma iniciativa voltada à ampliação da conectividade aérea em áreas remotas, integrando essas regiões à malha nacional e impulsionando o desenvolvimento socioeconômico local. 

O programa busca modernizar e expandir a infraestrutura dos aeroportos regionais, com foco especial nas regiões que enfrentam maior déficit, como a Amazônia Legal e o Nordeste.

“Tem um olhar muito grande para a gente assegurar que a infraestrutura pode estar disponível em melhores condições para que os aeroportos, que as empresas aéreas não precisem retirar voos desses aeroportos muitas”, destaca ela, que diz que atualmente há duas frentes sendo trabalhadas: infraestrutura e transporte. 

Há também uma linha de crédito do Fundo Nacional da Aviação Civil (FNAC) para estímulo a compra de aeronaves.

“Hoje o que a gente tenta fazer é dar esse espaço para elas de uma respirada financeira, dados os altos custos, mas já endereçando a aviação regional que é uma preocupação muito forte”, complementou. 

Pontos de atenção

Uma questão decisiva para uma empresa da aviação regional, segundo Clarissa Barros, é a liberdade de entrar e de sair de um mercado. 

“Porque às vezes a gente acha que não tem demanda no lugar, você estabelece o voo e o voo acontece. Agora ela só vai testar se ela souber que ela tem chance de sair, porque se ela achar que ela não tem chance de sair depois ela não entra”, explicou a secretária. 

O diretor-presidente da Anac, Tiago Chagas Faierstein, destaca a alta judicialização do setor. Só o Brasil responde por 90% da judicialização do mundo. 

“Como é que você quer atrair novas companhias aéreas para o Brasil, se eu tenho uma judicialização, eu assusto qualquer empresa”, questionou o diretor da Anac.

Recentemente, a agência e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) firmaram um acordo para tentar reduzir a quantidade de ações no setor aéreo.

COP 30

Para aumentar a oferta de voos para Belém (PA), onde acontecerá a Conferência do Clima, a COP 30, entre os dias 10 e 21 de novembro, a Anac está mantendo um contato direto com a concessionária do aeroporto da cidade.

Segundo Tiago Faierstein, as companhias aéreas aumentaram em 30% a oferta de voos, e uma equipe da agência permanecerá no local 24 horas por dia para garantir que os serviços atendam aos padrões exigidos.

Ele informou que também há um monitoramento constante, em parceria com as companhias aéreas, sobre a oferta de voos e assentos disponíveis.

O Ministério de Portos e Aeroportos informou “em todos os grandes eventos, o Governo Federal coloca à postos um planejamento colaborativo juntamente com as empresas aéreas, operadores de aeroportos, empresas de serviços auxiliares, Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Departamento de Polícia Federal, Receita Federal, dentre outros atores”.

De acordo com a pasta, entre os dias 1º e 23 de novembro, a expectativa é de que cerca de 508 mil passageiros sejam atendidos entre embarques, desembarques e conexões nos mais de 3.100 voos comerciais previstos pelas companhias aéreas até o momento. O fluxo representa quase o dobro da movimentação registrada no mesmo período do ano passado, enquanto a oferta de voos é 57% maior.

Fonte: G1

Veja qual é o voo comercial mais curto do Brasil: apenas 24 minutos

Os voos comerciais entre Salvador, capital baiana, e Morro de São Paulo, situado na Ilha de Tinharé no município de Cairu, revelam uma peculiaridade interessante dentro da aviação brasileira. Essa rota destaca-se não só pela curta distância, aproximadamente 83 quilômetros, mas também pela brevidade do tempo de voo. Nos céus do Brasil, trata-se do trecho mais rápido na aviação comercial brasileira, realizando o percurso em cerca de 24 minutos e conectando regiões turísticas de grande apelo.

Operado atualmente pela empresa Abaeté, esse trajeto tem sido amplamente procurado por turistas e viajantes que desejam economizar tempo e evitar trajetos rodoviários e marítimos extensos. O serviço responde à crescente demanda por deslocamentos mais ágeis entre Salvador e as paradisíacas praias do arquipélago de Tinharé, principalmente durante feriados e alta temporada.
O que torna esse voo comercial Salvador – Morro de São Paulo tão especial?
A rota entre Salvador e Morro de São Paulo é considerada um dos principais exemplos de voos regionais curtos no Brasil. Muitos passageiros se surpreendem com a rapidez da viagem, já que rotas comerciais geralmente apresentam percursos mais longos. Esse voo surgiu como alternativa aos tradicionais transportes terrestres e marítimos, que podem levar horas para chegar ao destino final.

Além da praticidade, esse voo proporciona uma vista panorâmica do litoral baiano e das águas cristalinas ao redor das ilhas do arquipélago de Tinharé. O serviço beneficia especialmente visitantes com itinerários apertados, permitindo aproveitar ao máximo as belezas naturais da região sem perder tempo em deslocamentos demorados.


Como funciona o trajeto e quem realiza a operação?

A operação do voo Salvador – Morro de São Paulo ocorre por meio de aeronaves de pequeno porte, frequentemente adequadas para pistas curtas e pousos em ambientes restritos. A Abaeté, companhia aérea responsável, realiza esses voos regulares e está habilitada para operar em aeródromos com infraestrutura mais enxuta.

  • Partida: O embarque se dá no Aeroporto Internacional de Salvador.
  • Chegada: O pouso ocorre no aeródromo da Terceira Praia, próximo ao centro de Morro de São Paulo.
  • Duração média: Cerca de 24 minutos de voo.
  • Distância aérea: Aproximadamente 83 km cruzando parte do litoral da Bahia.

Os horários são ajustados conforme a demanda, contribuindo para facilitar o acesso tanto para turistas quanto para moradores da região. Em períodos de maior movimento, a frequência de voos pode aumentar para atender ao fluxo elevado de passageiros.

Quais vantagens tem o voo mais curto do Brasil para passageiros?

Ao optar pelo transporte aéreo, o viajante evita transbordos entre ônibus, lanchas e balsas – comuns em outros roteiros rumo a Morro de São Paulo. O tempo de viagem é poderoso aliado para quem chega à cidade de Salvador em conexões ou precisa retornar rapidamente ao continente.

  1. Rapidez: Elimina horas de percurso em transporte rodoviário e aquaviário.
  2. Conforto: Reduz o cansaço causado por viagens longas e embarques múltiplos.
  3. Acessibilidade: Facilita o acesso ao arquipélago, principalmente para idosos, famílias com crianças ou pessoas com mobilidade reduzida.
  4. Praticidade: Ideal para quem busca otimizar o tempo de estadia em locais turísticos.

Morro de São Paulo é reconhecido internacionalmente como destino de lazer, e o voo tornou-se parte fundamental da infraestrutura turística local. A chegada rápida permite que turistas explorem as praias, trilhas e bares em menos tempo, estimulando a economia local e fortalecendo a cadeia do turismo na região.


Quais desafios e curiosidades envolvem esse trecho aéreo?

Esse tipo de operação aérea regional enfrenta desafios técnicos e logísticos. Aeronaves precisam ser preparadas para pousos em pistas curtas, às vezes de terra batida. Além disso, condições climáticas adversas podem interferir na regularidade dos voos.

Entre as curiosidades, destaca-se o fato de que, apesar da curta distância, o voo transporta passageiros interessados tanto pela experiência quanto pela praticidade. O trecho já foi eleito diversas vezes como um exemplo da agilidade do transporte aéreo local. O serviço é também uma alternativa para moradores das duas regiões, criando uma conexão rápida e eficiente entre Salvador e as ilhas turísticas do município de Cairu.

No contexto da aviação brasileira, o trecho Salvador – Morro de São Paulo operado pela Abaeté se consolidou como símbolo de eficiência em distâncias curtas, otimizando o tempo do passageiro e garantindo acesso facilitado a um dos destinos mais procurados do Nordeste. A demanda pelo serviço mostra a importância de rotas regionais para o turismo e para a integração entre diferentes áreas do estado da Bahia.

Fonte: Terra Turismo

Programa detalha recorde na aviação, novas concessões e entregas para a COP 30

O ministro Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) será o convidado do programa Bom dia, Ministro desta terça-feira (4/11). A entrevista com rádios e portais de notícias de várias regiões do país começa às 8h. Costa Filho destacará as principais ações da pasta, como as concessões portuárias, o recorde da movimentação de passageiros na aviação e as entregas para a COP 30.

RECORDE DE PASSAGEIROS — Durante o programa, o ministro vai comentar o desempenho histórico da aviação civil brasileira, que alcançou mais um recorde de movimentação no terceiro trimestre de 2025. Entre julho e setembro, 33,6 milhões de passageiros viajaram em voos domésticos e internacionais, 2,6 milhões a mais que no mesmo período do ano passado, o que representa uma alta de 8,5%. O desempenho confirma a trajetória de expansão do setor, que já acumula 54 meses consecutivos de crescimento e mantém o ritmo acima dos níveis pré-pandemia (30,3 milhões em 2019).

INFRAESTRUTURA — Outro assunto em destaque do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) é a infraestrutura portuária brasileira, que receberá mais de R$ 1,3 bilhão em investimentos privados para modernização e ampliação da capacidade em terminais estratégicos. Em leilões recentes, a pasta concluiu concessões que vão impulsionar o escoamento da safra em Paranaguá (PR), o setor de óleo e gás no Rio de Janeiro (RJ) e o turismo de cruzeiros em Maceió (AL).

O maior aporte será destinado ao Porto de Paranaguá, o segundo maior do país. O Consórcio Canal Galheta Dragagem (CCGD) investirá R$ 1,22 bilhão para aprofundar o canal de acesso (dragagem), aumentando de 13,5 para 15,5 metros. A obra é fundamental para permitir o acesso de navios de grande porte e ampliar a capacidade operacional e a eficiência no escoamento da produção agrícola de outros estados, além de impulsionar o comércio internacional.

No Rio de Janeiro, a Petrobras arrematou o Terminal RDJ07 e investirá R$ 99,4 milhões para fortalecer o apoio logístico às atividades de exploração e produção offshore. Já em Maceió (AL), o Consórcio Britto-Macelog II venceu o leilão do Terminal de Passageiros (TMP) e aplicará R$ 3,75 milhões para consolidar o local como um polo de cruzeiros marítimos no Nordeste, melhorando a experiência dos visitantes e aquecendo a economia local.

COP 30 — Na última sexta-feira, 31 de outubro, ao lado do presidente Lula, o ministro participou da entrega das obras de requalificação do Terminal Portuário de Outeiro e do Aeroporto Internacional de Belém, no Pará, ambas prontas para receber os participantes da COP 30.

O Porto de Outeiro recebeu R$ 260 milhões, gerou 450 empregos locais e está pronto para receber dois navios-hotéis flutuantes, que adicionarão 6 mil leitos à rede hoteleira da cidade durante a conferência. Já o Aeroporto de Belém quase dobrou sua capacidade, ampliado de 7,7 milhões para 13 milhões de passageiros anuais. A obra recebeu R$ 450 milhões em investimentos da concessionária Norte da Amazônia Airports (NOA).

LIDERANÇA NA DESCARBONIZAÇÃO — Outro tema a ser abordado pelo ministro Silvio Costa Filho é o compromisso do setor aeroportuário brasileiro com a sustentabilidade, que investiu um total de R$ 350,5 milhões em iniciativas ambientais, sociais e de governança (ESG) nos anos de 2023 e 2024. O investimento foi detalhado no “Diagnóstico de Sustentabilidade”, uma pesquisa inédita realizada pelo MPor em parceria com a Associação de Terminais Portuários Privados (ATP).

Fonte: Agência GOV

AGU e FAB garantem continuidade de serviços de telecomunicações no controle do espaço aéreo

Atuação viabilizou solução para evitar risco à segurança do tráfego aéreo diante da crise da operadora Oi


A Advocacia-Geral da União (AGU) atuou de forma decisiva, em parceria com a Força Aérea Brasileira (FAB), para assegurar a continuidade dos serviços de telecomunicações que sustentam o controle do tráfego aéreo nacional. Na Justiça, a AGU conseguiu aprovar a transição emergencial dos serviços prestados pela Oi, que está em recuperação judicial, para a Claro.

A atuação da AGU, por meio da Consultoria Jurídica da União no Estado do Rio de Janeiro (CJU/RJ) e da Procuradoria Regional da União da 2ª Região (PRU2), evitou o risco de interrupção nas comunicações entre radares, estações e controladores de voo, essenciais à segurança e à soberania do espaço aéreo brasileiro.

A AGU atuou no caso após ser acionada pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), da FAB, para conduzir a resposta jurídica e institucional diante do iminente colapso financeiro e operacional da operadora Oi.

Após detalhada análise, a Advocacia-Geral da União ingressou no processo de recuperação judicial da Oi, perante o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), como interessada institucional, apresentando a proposta de transição dos serviços da Oi para a Claro, a ser celebrado pela administração pública federal,  por meio de uma contratação emergencial, com fundamento na Lei nº 14.133/2021.

Na quinta-feira (30/10), a 7ª Vara Empresarial do TJRJ reconheceu a relevância pública da medida e homologou a decisão, autorizando o uso da infraestrutura da Oi — como prédios, equipamentos e subcontratações — pela Claro, durante o período de transição.

Articulação

Diante do impasse e da informação técnica do Decea, a CJU/RJ orientou a transição dos serviços e a celebração de um contrato emergencial com a Claro, por ser a única operadora com capacidade e capilaridade para assumir de imediato os contratos. A PRU2 atuou no diálogo judicial, em audiência e nas manifestações processuais, para assegurar que a solução jurídica construída fosse reconhecida e acolhida pelo juízo da recuperação judicial.

No dia 21 de outubro, os advogados públicos participaram de uma audiência decisiva no TJRJ, com todas as partes envolvidas, permitindo a viabilização da construção jurídica.  Representaram a União na audiência, o procurador regional da União na 2ª Região, Glaucio de Lima e Castro, a coordenadora regional de serviço público da PRU2, Andréa de Moura Soares, a consultora jurídica da União no estado do Rio de Janeiro, e o consultor Paulo Kusano Bucalen Ferrari.

A consultora jurídica da União no estado do Rio de Janeiro, Mariana Moreira e Silva, ressaltou a importância da atuação. “Foi um trabalho de articulação intensa e técnica, que uniu o conhecimento jurídico da AGU e a necessidade urgente da FAB de uma solução para garantir a segurança de milhões de brasileiros”.

O procurador regional da União Glaucio de Lima e Castro ressaltou que “a atuação coordenada da AGU reafirmou o papel da União na proteção de serviços públicos essenciais, demonstrando a importância da advocacia pública como Advocacia de Estado”.

A decisão judicial reconheceu a colaboração institucional entre a AGU, a Aeronáutica e os gestores judiciais, e garantiu a manutenção dos serviços até a implantação definitiva das novas redes de telecomunicações aeronáuticas previstas pelo Decea.

Fonte: FAB

Aviação de negócios chega na COP30 com foco em combustíveis sustentáveis

A aviação de negócios se posiciona como protagonista na redução de emissões de carbono com o uso de combustíveis de aviação sustentável (SAF, na sigla em inglês) conforme as discussões preparatórias para a conferência COP30, programada para ocorrer em Belém, entre os dias 10 e 21 de novembro.

O setor afirma ter alcançado acesso “sem precedentes” ao SAF, com mais de cem FBO (Fixed Base Operators) em todo o mundo oferecendo reabastecimento direto, enquanto sistemas de certificação “book-and-claim” permitem que operadores reivindiquem os benefícios ambientais do combustível mesmo quando o abastecimento físico não acontece no local.

Na prática, essas iniciativas são promovidas por parcerias como a Business Aviation Coalition for Sustainable Aviation Fuel, que reúne mais de vinte empresas e associações da aviação de negócios.

Com a proximidade do encontro em Belém, o grupo orienta operadores de aeronaves a contatar fornecedores de combustível, FBO e consultores de sustentabilidade para identificar opções de SAF — com atenção especial para voos destinados à COP30, e demais missões futuras.

A crescente urgência em descarbonizar o transporte aéreo reforça o papel do SAF como principal alternativa para reduzir as emissões de CO₂ no setor. A NBAA, entidade que representa a aviação de negócios nos Estados Unidos, afirma que o uso de SAF pode reduzir em até 80% as emissões de gases de efeito estufa, incluindo CO₂ (dióxido de carbono), CH₄ (metano) e N₂O (óxido nitroso), em todo o ciclo de vida do combustível, em comparação ao querosene de aviação convencional.

A associação dos fabricantes da aviação geral (GAMA) destaca que, no segmento de aviação geral e de negócios, o uso ampliado de SAF e melhorias de eficiência serão componentes essenciais para atingir a meta de emissões líquidas-zero em 2050

Os estudos estão alinhados com os trabalhos realizados pela aviação comercial. A IATA estima que o SAF poderiam responder por cerca de 65 % da redução necessária para alcançar a meta de emissão líquida-zero em 2050.

O uso desse tipo de combustível baseia-se em matérias-primas renováveis ou resíduos orgânicos, possibilitando uma redução do ciclo de vida de emissões de até 80 %. 

Entretanto, a adoção em larga escala enfrenta obstáculos significativos. A produção global de SAF continua muito abaixo da demanda, chegando a apenas frações mínimas do consumo total de querosene no setor.

O custo permanece elevado e a infraestrutura de abastecimento e certificação ainda requer investimentos robustos para atingir escala competitiva. Segundo o setor aéreo, para que o avanço seja viável, serão necessárias políticas públicas que estimulem a cadeia produtiva, mandatos de incorporação, incentivos financeiros e colaboração internacional.

No contexto da COP30 o setor da aviação encontra uma oportunidade estratégica para evidenciar seu compromisso com a sustentabilidade e alinhar-se ao debate global sobre o clima. O desenvolvimento de plataformas de certificação, compra de créditos de SAF e a mobilização de operadores, fornecedores e reguladores podem converter compromissos em ações concretas.

Fonte: Aero Magazine

Base Aérea amplia pátio para receber aeronaves oficiais durante a COP 30

Mais de 140 delegações devem chegar à capital; Força Aérea Brasileira terá caças em alerta e sistema antidrone


A Base Aérea de Belém ampliou sua estrutura e reforçou o controle do espaço aéreo para receber aeronaves oficiais durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que começa nesta quinta-feira (6) e deve reunir mais de 140 delegações internacionais na capital paraense. As medidas integram o plano nacional de operações aéreas coordenado pelo Governo Federal, por meio da Secretaria Extraordinária para a COP 30 (Secop), em conjunto com o Ministério das Relações Exteriores e o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).

Controle do espaço aéreo será feito com tecnologia usada em grandes aeroportos

Segundo informações enviadas pela Comunicação Integrada das Forças Armadas na COP 30, o Destacamento de Controle do Espaço Aéreo de Belém (DTCEA-BE) ficará responsável pelas operações de pouso e decolagem das aeronaves que transportam autoridades. Apenas aviões com exceções específicas terão autorização para pernoitar em Belém, decisão que será coordenada diretamente pelo Itamaraty, devido à alta demanda esperada durante o evento.

Para garantir segurança e fluidez no tráfego aéreo, o número de controladores de voo será ampliado tanto na Torre de Controle quanto no Controle de Aproximação. Além disso, será implementado o Point Merge System, o mesmo sistema usado no Terminal de Guarulhos (SP), que direciona aeronaves para um ponto de convergência comum, reduzindo atrasos, ruídos e a carga de trabalho dos controladores.

Caças e sistema antidrone reforçam segurança durante a cúpula de líderes

O Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE) será responsável pela coordenação da Defesa Aeroespacial durante o evento. Nos dias 6 e 7 de novembro, quando ocorrerá a Cúpula de Líderes da COP 30, a Força Aérea Brasileira (FAB) manterá caças em alerta permanente, em voo e no solo.

O espaço aéreo da região será monitorado de forma rigorosa, com uso de sistemas antidrone para garantir a segurança das delegações internacionais e Chefes de Estado que participarão das discussões climáticas em Belém.

Base Aérea vai receber 74 aeronaves oficiais e amplia infraestrutura

A Base Aérea de Belém deve receber 74 aeronaves oficiais durante o evento. Para isso, a Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (Comara) executou obras de ampliação do pátio operacional e reforma das pistas de táxi, totalizando 38,6 mil m² de área reformada e ampliada e o uso de cerca de 6,3 mil toneladas de asfalto.

As intervenções permitem a operação de aeronaves de grande porte e atendem às exigências logísticas de um evento internacional do porte da COP 30.

Aeroporto Internacional de Belém também receberá aeronaves civis

De acordo com as Forças Armadas, 149 delegações internacionais confirmaram presença na COP 30. As aeronaves civis utilizadas por parte dessas delegações ficarão sob responsabilidade do Aeroporto Internacional de Belém, administrado pela Norte da Amazônia Airports (NOA), que também adotou um plano especial de operação durante o evento.

Fonte: FAB

Força Aérea Brasileira se destaca em evento internacional em Brasília sobre prevenção de colisões com fauna

A Força Aérea Brasileira (FAB) teve destaque no 23º Comité CAR/SAM para la Prevención de Peligros Aviarios y de Fauna (CARSAMPAF) e no 5º AEROFAUNA, os maiores eventos da América Latina voltados à prevenção de colisões entre aeronaves e animais. Os encontros reuniram representantes de 21 países e foram realizados entre os dias 7 e 10 de outubro, em Brasília.

Durante os eventos, dois oficiais da FAB apresentaram estudos de caso que evidenciam o avanço da instituição na gestão do risco de fauna e na promoção da segurança operacional.

O Chefe da Assessoria de Segurança de Voo da Diretoria de Ensino (DIRENS), Major Aviador Fernando Lopes da Silva, apresentou o trabalho intitulado “Reporte na aviação militar: evidências para o fortalecimento da cultura de segurança”, desenvolvido em parceria com a Academia da Força Aérea (AFA). O estudo destacou a importância do reporte de fauna como ferramenta essencial para o aprimoramento das práticas de prevenção e para o fortalecimento da cultura de segurança de voo.

Já o Chefe da Seção de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos da Base Aérea de Porto Velho, Capitão Aviador Daniel Bunchaft, apresentou o estudo de caso “O uso do georreferenciamento no gerenciamento do risco de fauna”, demonstrando como o emprego de tecnologias de mapeamento tem contribuído para identificar áreas críticas e otimizar medidas mitigadoras.

Segundo o Major Aviador Silva, o tema tem ganhado relevância no Brasil e no mundo. “É muito importante perceber que a Força Aérea Brasileira está caminhando junto com a evolução do setor. A nossa participação reforça o compromisso da FAB com a inovação, a pesquisa aplicada e a segurança das operações aéreas, em consonância com as melhores práticas internacionais”, finalizou.

Fonte: AEROIN

Black November da SAFE Escola de Aviação Impulsiona o sonho de se tornar piloto

Em um cenário de franca expansão e otimismo para a aviação civil brasileira, a SAFE Escola de Aviação anuncia sua imperdível campanha de Black November, oferecendo condições excepcionais para quem deseja alçar voo em uma das carreiras mais promissoras da atualidade. Com descontos significativos nas horas de voo e no cobiçado Tecnam P-Mentor, a iniciativa surge como um convite irrecusável para investir no futuro.

SAFE Escola de Aviação curso de piloto
Frota dos aviões de treinamento da SAFE. Foto: SAFE

A aviação brasileira vive um de seus melhores momentos. Dados recentes apontam para um crescimento constante no fluxo de passageiros e cargas, com companhias aéreas expandindo suas frotas e rotas. Este aquecimento do mercado gera uma demanda crescente por profissionais qualificados em todas as frentes, desde pilotos e copilotos a mecânicos e controladores de tráfego aéreo. É um horizonte promissor, onde a formação de excelência é a chave para o sucesso.

“Estamos testemunhando um período de renascimento e consolidação para a aviação em nosso país”, afirma um porta-voz da SAFE Escola de Aviação. “A necessidade de novos talentos é palpável, e nunca houve um momento tão propício para iniciar ou aprimorar uma carreira nesta área. Nossa Black November foi pensada exatamente para democratizar o acesso a uma formação de alto nível, preparando a próxima geração de aviadores para um futuro brilhante.”

Oportunidades que Deixam os Preços nas Nuvens, mas os Custos no Chão

A SAFE Escola de Aviação, reconhecida pela sua infraestrutura moderna e corpo docente experiente, preparou ofertas que certamente farão os olhos dos futuros pilotos brilharem:

Horas de Voo com Desconto Exclusivo: As horas de voo, essenciais para a formação prática de qualquer aviador, que antes custavam R$ 859, agora podem ser adquiridas por apenas R$ 730 no pagamento à vista. Uma economia substancial para quem busca acumular experiência e proficiência.

SAFE Escola de Aviação curso de piloto
Tecnam P-Mentor

Tecnam P-Mentor ao Alcance: Para os aspirantes a pilotos que sonham em voar em equipamentos de ponta, o treinamento no moderno Tecnam P-Mentor, aeronave que une tecnologia e segurança, teve seu valor reduzido de R$ 1.180 para incríveis R$ 999 no pagamento à vista.

Com a economia gerada, os alunos podem investir em outras etapas de sua formação, em materiais de estudo ou mesmo em horas adicionais para refinar suas habilidades.

Flexibilidade para Realizar o Sonho

Compreendendo que nem todos podem realizar o pagamento integral à vista, a SAFE Escola de Aviação oferece uma condição especial de parcelamento. Para aqueles que optarem por esta modalidade, será possível parcelar o valor total em até 12 vezes sem juros no cartão de crédito. Importante ressaltar que, nesta opção, os valores correspondem aos preços normais dos cursos e horas de voo, sem os descontos da Black November, mas a facilidade do parcelamento sem juros mantém o sonho acessível.

“Queremos garantir que o sonho de voar seja uma realidade para o maior número de pessoas possível”, complementa o porta-voz. “Acreditamos que a flexibilidade de pagamento é tão importante quanto a qualidade do ensino, especialmente em um investimento tão significativo quanto a formação aeronáutica.”

Prepare-se para Decolar em 2026

A Black November da SAFE Escola de Aviação representa mais do que uma série de descontos; é uma porta de entrada estratégica para um setor em plena ascensão. Com o Brasil se firmando como um polo de crescimento na aviação global, profissionais bem preparados terão vastas oportunidades de carreira, seja em linhas aéreas comerciais, aviação executiva, transporte de cargas ou outras áreas especializadas.

Autor: Aeroflap

Nova era na aviação: Primeiro voo do avião supersônico “silencioso” X-59 (vídeo)

O que faz o X-59 ser tão especial? Um detalhe no design pode mudar o som que ouvimos ao quebrar a barreira do som


O avanço tecnológico na aviação tem impulsionado novas possibilidades, destacando-se o X-59 como um projeto inovador resultado da colaboração entre a Lockheed Martin e a NASA. Este avião experimental deverá revolucionar o transporte aéreo ao combinar velocidade supersônica e um design que reduz significativamente o ruído da quebra da barreira do som, conhecido como “bang supersônico”.

O que o X-59 pretende alcançar na aviação supersônica?

O X-59 foi projetado para explorar a viabilidade de viagens supersônicas seguras e silenciosas. Um dos principais objetivos é demonstrar que é possível voar acima da velocidade do som sobre áreas habitadas sem causar o incômodo ruído tradicional.

Atualmente, os voos comerciais supersônicos enfrentam restrições rigorosas em diversos países devido ao impacto sonoro. O X-59 quer redefinir essas normas e abrir caminho para ampliação desses voos.

Nova era na aviação: Primeiro voo do avião supersônico "silencioso" X-59 (vídeo)
O X-59 foi projetado para explorar a viabilidade de viagens supersônicas seguras e silenciosas – Créditos: (depositphotos.com / aapsky)

Como funciona o sistema de redução de ruído do X-59?

O design do X-59 emprega formas aerodinâmicas específicas para distribuir as ondas de choque, suavizando o som da passagem pelo muro do som. Esse sistema transforma o estrondo em um ruído bem mais brando, semelhante ao som de uma porta de carro fechando à distância.

Para evidenciar as características técnicas dessa tecnologia de redução de ruído, destacam-se os pontos a seguir:

  • Estrutura da fuselagem alongada e afilada para dispersar ondas de choque.
  • Posicionamento estratégico do cockpit para ajudar no perfil acústico.
  • Materiais especiais que absorvem parte da energia sonora.

Quais são as características técnicas do X-59?

O X-59 mede 30 metros de comprimento e, em seu voo inaugural em 2025, atingiu velocidade sub-sônica de 370 km/h e altitude de 3.660 metros. O objetivo futuro é alcançar Mach 1,4, equivalente a 1.490 km/h.

Esses avanços permitirão que a aeronave voe consideravelmente mais alto e muito mais rápido em relação aos aviões comerciais atuais.

  • Comprimento: 30 metros
  • Velocidade de cruzeiro: 1.490 km/h
  • Altitude operacional: bem acima dos aviões convencionais

O X-59 pode mudar o futuro da aviação comercial?

Uma aeronave capaz de reduzir drasticamente o ruído do voo supersônico pode retomar as discussões sobre operações comerciais nessas velocidades, suspensas desde o fim do Concorde em 2003. O Concorde, embora inovador, enfrentou limitações devido ao alto custo e impacto sonoro.

A iniciativa da NASA e Lockheed Martin com o X-59 busca superar esses entraves por avanços em aerodinâmica e acústica, favorecendo a aceitação pública e a viabilidade econômica dos voos supersônicos.

O sucesso do X-59 pode posicionar os Estados Unidos como líderes na aviação supersônica silenciosa e transformar a experiência de viagens aéreas, tornando os voos intercontinentais mais rápidos, eficientes e silenciosos. O avanço dessa tecnologia pode em breve tornar um sonho antigo não só viável, mas acessível a passageiros ao redor do mundo.

Fonte: O Antagonista

SMS Brasil: há 10 anos contribuindo com a segurança operacional da aviação civil

Nos dias 21 e 22 de outubro, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) realizou, em São Paulo (SP), a 10ª edição do Safety Management Summit Brazil (SMS Brasil) – evento que se consolidou como o principal fórum nacional dedicado à segurança operacional da aviação civil. A edição comemorativa reuniu especialistas, representantes de empresas aéreas, autoridades, pesquisadores e profissionais do setor para debater os avanços e desafios da área, reafirmando o compromisso do Brasil com uma cultura de segurança sólida e alinhada aos padrões internacionais. 

O SMS Brasil integra Programa de Segurança Operacional Específico para a Anac (PSOE) com o objetivo de disseminar conhecimento sobre o transporte aéreo e aproximar a Agência de seus diversos públicos — entre eles, profissionais, empresários, estudantes e entusiastas da aviação. A iniciativa também busca otimizar recursos e fortalecer a promoção da segurança operacional por meio de ações educativas e eventos técnicos. 

Na cerimônia de abertura, foi exibido um vídeo que resgatou a trajetória de uma década do evento e as suas contribuições para o setor. O diretor-presidente da Anac, Tiago Faierstein, destacou a importância da segurança como fundamento da aviação civil. “A aviação é um dos pilares do desenvolvimento nacional — conecta pessoas, encurta distâncias, movimenta a economia e salva vidas. Mas toda essa grandeza depende de um alicerce inegociável: a segurança operacional. O Brasil deu passos significativos na construção de uma cultura sólida, com foco na gestão de riscos, no fortalecimento da fiscalização e na formação de profissionais qualificados”, afirmou. 

Primeiro dia (21/10) – Fatores humanos, gestão de crises e inovação regulatória 

O primeiro dia do SMS Brasil 2025 trouxe uma série de painéis que exploraram as diferentes dimensões da segurança operacional na aviação. 

José Carlos Bruno, da empresa Human Energy, abriu as discussões com o tema “Fatores humanos: do que estamos falando, afinal?”. Ele destacou que os acidentes são “socialmente organizados e sistematicamente produzidos por estruturas sociais”. Carlos abordou o tema sob a perspectiva de que o comportamento do sistema deve ser o foco da organização. Segundo o especialista, quanto mais regras existirem, maior é o impacto na segurança, e, quanto mais complexo for o sistema, menor o efeito dessas regras.  

Na sequência, foi entregue a primeira edição do Prêmio Demoiselle, um reconhecimento a profissionais que contribuíram de forma relevante para a melhoria contínua da segurança operacional no país. O premiado foi o comandante-instrutor de Airbus A320 da Latam Airlines Marcelo Marcusso. Com mais de duas décadas de trabalho na aviação, ele integrou as atividades de voo e de gestão nas áreas de Segurança Operacional e Operações de Voo. Ele recebeu o reconhecimento por sua atuação à frente do Grupo Brasileiro de Segurança Operacional da Aviação Comercial (BCAST) e pelas relevantes contribuições para a melhoria contínua da segurança operacional no País. 

Os destaques do dia também incluíram apresentações sobre vigilância por filmagem em exames de pilotos, conduzida pelo gerente de Exames de Pessoal da Anac, Marcus Vinícius, e sobre a mitigação de colisões e toques de cauda em aeronaves comerciais, com o gerente de Segurança da Aviação da Boeing para América Latina e Caribe, Fábio Catani. 

A ouvidora da Anac, Cristina Vilasboas, apresentou o painel “Registros de ouvidoria: participação dos cidadãos e segurança”. A servidora enfatizou que a confiança do público é essencial para fortalecer a cultura de segurança. “É fundamental que o usuário tenha confiança no processo, pra que possa denunciar com a certeza que será ouvido e que sua identidade será protegida”, destacou. 

Um dos momentos mais debatidos foi o painel “Gestão de crises para o público”, com a gerente de Resposta a Emergências da Latam, Waleska Fortini, e o gestor de Segurança Operacional do Aeroporto de Guarulhos, Tales Pucci, com a moderação do superintendente de Inteligência e Ação Fiscal da Anac, Claudio Ianelli. Waleska ressaltou que “pressão não é a inimiga, mas a falta de preparo é”, enquanto Tales falou sobre a importância da cultura organizacional e da segurança psicológica dos profissionais em momentos críticos das operações. 

No painel sobre Regulação Responsiva, o gerente de Operações da Aviação Geral da superintendência de Padrões Operacionais da Anac, Fábio Fagundes, apresentou o modelo que moderniza o processo sancionador e amplia o diálogo entre regulador e regulados, fortalecendo a conformidade regulatória e a atuação preventiva da Agência. 

Também foram debatidos temas como o Gerenciamento de Recursos da Tripulação (CRM), apresentado pelo especialista em regulação da superintendência de Padrões Operacionais da Anac João Pedro;e implementação do SGSO nas organizações de manutenção, com o gerente de Garantia da Qualidade da APS Serviços Aeronáuticos Regers Vidor, e o representante da Embraer, Salmir Dias Junior, com moderação do coordenador da superintendência de Padrões Operacionais da Anac Wenderson Pires. “O objetivo não é a perfeição, mas construir um sistema que fique mais seguro a cada aprendizado”, observou Salmir. 

Encerrando o primeiro dia o coordenador da Assessoria de Segurança Operacional da Anac, Ronaldo Gamermann,  apresentou a iniciativa “Aprendendo com todas as operações”. Inspirada na Flight Safety Foundation, propõe uma abordagem proativa: aprender também com o que dá certo. Abordou a necessidade de se aprimorar a análise de risco fazendo a gestão no dia a dia, observando o que acontece na linha de frente das operações aéreas, e as necessidades que precisam ser adaptadas para trazer maior segurança para o sistema de aviação. 

Segundo dia (22/1) – Cultura, tecnologia e cooperação internacional 

O segundo dia foi aberto pelo diretor Antônio Mathias Moreira, que reafirmou o compromisso da Anac com a promoção da segurança operacional. “Tecnologia só gera valor com processos bem definidos e comportamentos alinhados. A cultura vem antes da ferramenta”, destacou em sua fala de abertura do segundo dia do evento. 

O painel “Runway Safety: soluções tecnológicas, equipamentos e procedimentos”, foi moderado pelo superintendente de Infraestrutura Aeroportuária da Anac, Giovano Palma. Participaram o, diretor de Operações da Concessionaria Rio Galeão, Dimas Salvia; o, gerente de Segurança Operacional da Motiva Aeroportos, Eduardo Ulyssea; opresidente do BCAST e diretor de Qualidade e Segurança da Azul Linhas Aéreas, Renato Achoa; o diretor de Operações da Fraport Brasil, Edgar Nogueira, e o Coronel Fabio Lourenço Barbosa, do Centro Regional de Controle do Espaço Aéreo Sudeste (CRCEA-SE) do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). Todos enfatizaram a importância da colaboração entre as instituições para garantir operações aéreas mais seguras. 

Na sequência, o painel “Operando aeronaves leves esportivas para instrução” apresentou experiências de escolas e fabricantes nacionais, com destaque para a fala do gerente técnico da superintendência de Aeronavegabilidade da Anac Nelson Nagamine, que abordou aeronaves adaptadas para pessoas com deficiência. Participaram do painel Ivan Sena Carvalho, da Safe Escola de Aviação; o engenheiro aeronáutico da Montaer Aeronaves Bruno de Oliveira; e o gerente técnico da superintendência de Pessoal da Aviação Civil da Anac Pedro Di Donato. 

O painel internacional sobre UPRT (Upset Prevention & Recovery Training) reuniu especialistas brasileiros e estrangeiros para discutir a importância desse treinamento na prevenção de acidentes, criado pelo Dr. Sunjoo, representante da International Development of Tecnology, que palestrou sobre o tema. “Compliance não é garantia de segurança. Eu acho que mais do que treinamento é necessário, é necessário melhoras as capacidades e habilidades de forma cooperativa entre autoridades, profissionais e as empresas aéreas”, destacou Dr. Sunjoo.  

Outro destaque foi o painel sobre Cultura de Segurança Operacional no compartilhamento de aeroportos: asas fixa e rotativa, o gerente técnico da superintendência de Infraestrutura Aeroportuária da Anac Victor Freire, que apresentou o Guia de Boas Práticas para Operações de Helicópteros em Aeroportos e o Manual de Orientações de Infraestrutura de Helipontos, ambos elaborados pela Agência. 

O Tenente-Coronel Thiago Alexandre Lirio, do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), apresentou a nova NSCA 3-13, norma que trata dos protocolos de investigação de ocorrências aeronáuticas da aviação civil. 

A palestra “Safety Culture” encerrou os debates, com o diretor regional de Segurança Operacional para América Latina e Caribe da Airbus, Santiago Saltos, que trouxe uma visão global sobre a evolução da segurança operacional e ressaltou a importância da colaboração entre todos os atores do sistema aéreo. 

O encerramento foi conduzido pelo chefe da Assessoria de Segurança Operacional da Anac, Bernardo Castro. Ele destacou a importância da atuação conjunta para o fortalecimento contínuo da segurança operacional na aviação brasileira. “O SMS Brasil mostra que a segurança é resultado do aprendizado coletivo, da troca de experiências e do compromisso de todos com a melhoria contínua”, concluiu. 

Assista ao vídeo comemorativo dos 10 anos do SMS Brasil.

Assessoria de Comunicação Social da Anac