A Namíbia está em tratativas para equipar sua nova companhia aérea nacional, a Namibia Air, com sete aeronaves da fabricante brasileira Embraer, entre compras e leasing. As conversas também envolvem acordos de suporte técnico, manutenção e treinamento, fortalecendo a presença da indústria aeronáutica do Brasil no sul da África.
A Namibia Air recebeu licenças para operações regulares e não regulares, válidas por cinco anos, e planeja iniciar voos comerciais na primeira semana de dezembro de 2026, aguardando ainda a certificação de operador aéreo (AOC).
O projeto prevê uma frota inicial de quatro ERJ-145, avaliados em cerca de US$ 3 milhões cada, e três jatos da família E170/E175, com valor estimado em US$ 8 milhões por unidade, totalizando investimento entre US$ 35 e 36 milhões.
A estratégia da frota permite flexibilidade para atender diferentes demandas, com ERJ-145 para rotas de menor tráfego e E170/E175 para ligações domésticas e regionais, incluindo transporte de carga nos porões, evitando a necessidade de aviões cargueiros dedicados.
A operação terá como base os aeroportos Hosea Kutako e Eros, em Windhoek, conectando cidades internas da Namíbia e destinos internacionais na África Austral, como Joanesburgo, Cidade do Cabo, Durban e Lusaka. O mercado potencial é estimado em cerca de 800 mil passageiros domésticos e intra-regionais, com previsão inicial de 160 voos semanais, crescendo para 210 no quarto ano.
O cronograma é apertado, com aquisição das aeronaves podendo levar de um a seis meses e a necessidade de tê-las disponíveis para a certificação.
Até agosto, o governo namibiano não havia definido a fonte definitiva de recursos para compra ou leasing, tornando a negociação com o Brasil estratégica para viabilizar uma entrada rápida no mercado.
A Namibia Air surge cinco anos após o fim da Air Namibia, com foco em sustentabilidade e operação enxuta, empregando aeronaves regionais para melhor atender a região.
Para a Embraer, o projeto representa oportunidade de ampliar vendas, serviços de manutenção, treinamento e suporte operacional, consolidando uma parceria de longo prazo no mercado africano.
Fonte: Aeroin
